Opinião

Empresa de energia mineira implanta projeto de funcionário para a agricultura urbana

A Cemig poda, mensalmente, entre 10 mil e 15 mil árvores na região metropolitana de BH, gerando uma quantidade enorme de folhas e galhos, que são enviados para o aterro sanitário. Com a trituração, feita no local da poda, esse resíduo tem outra destinação: os agricultores urbanos

agricultura urbana
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Igor Messias tem 36 anos mora e trabalha em Barbacena (a 167 quilômetros de Belo Horizonte) como técnico de meio ambiente na Gerência de Gestão Ambiental da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e é especialista em questões ambientais. 

Aproveitando um programa da empresa lançado em 2018 – o Movimenta, que acolhe projetos dos funcionários e os coloca em prática; os autores dos projetos escolhidos recebem um prêmio em dinheiro – apresentou um ideia simples, fácil de ser colocada em prática, dirigida, num primeiro momento, aos agricultores urbanos da Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluindo a capital.

O projeto, no qual já estava trabalhando no seu mestrado em sustentabilidade, na Universidade Federal de Ouro Preto (ele é formado em tecnologia de meio ambiente e em engenharia ambiental e pós-graduado em gestão ambiental), consiste no seguinte: triturar o material retirado das árvores nas podas feitas pela Cemig, transformando-os em insumo para agricultores urbanos da Grande BH.

(Belo Horizonte é, segundo o Censo 2010 do IBGE, a terceira cidade mais bem arborizada do Brasil entre aquelas com mais de um milhão de habitantes).

Para evitar conflito com a rede elétrica, a Cemig poda, mensalmente, entre 10 mil e 15 mil árvores na região metropolitana de BH, gerando uma quantidade enorme de folhas e galhos, que são enviados para o aterro sanitário. Com a trituração, feita no local da poda, esse resíduo tem outra destinação: os agricultores urbanos.

A implantação do projeto é coordenada pelo próprio Igor, que explica:

– Nesse projeto, procuramos trabalhar a sustentabilidade em todos os seus pilares. Ambiental: redução do uso da água na agricultura urbana (os resíduos triturados ajudam a preservar a umidade da terra), produção de fertilizante orgânico, aumento da vida útil de aterros sanitários e fixação de carbono no solo. Social: fornecimento de insumo para agricultura familiar e aumento do acesso a produtos orgânicos pelos cidadãos. Econômico: redução dos gastos com saúde pública por parte do governo, redução de custos do produtor com água e fertilizantes e redução de custos para a empresa de energia, que não precisará mais pagar aterros para dispor resíduos de poda.

O projeto está em fase de teste em BH desde setembro deste ano.

– Calibramos o sistema e agora estamos definindo o prazo a ser dado para as contratadas que executam podas para que adquiram o equipamento que faz a trituração dos resíduos. Até março do ano que vem esperamos estar funcionando 100%.

150 produtores já cadastrados 

Até o momento 150 produtores de vários municípios da Grande BH (são 34 no total) já se cadastraram para receber o insumo (alguns, inclusive, já estão recebendo).

– Mas esse número aumenta a cada dia, à medida que me reúno com as associações e que a notícia se espalha. Há também sistemas agroflorestais urbanos que vão se cadastrar – diz, animado. 

Igor assinala, ainda, a importância da utilização do material triturado na diminuição do consumo de água:

– A Grande BH passa, todos os anos, por severa crise hídrica. E praticamente todo agricultor urbano precisa usar água da companhia de abastecimento público (Copasa); portanto, ações no sentido de reduzir o consumo de água por estes agricultores são muito importantes.

E conclui, esperançoso:

– Pela simplicidade do projeto, acredito muito na sua replicação, tanto por outras empresas de energia, quanto por prefeituras, que executam também muita poda.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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