Opinião

Tenham fé

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Rio – Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha – e muito – é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).

Ligado à Secretaria de Comunicação Institucional, antiga Secretaria de Comunicação – SECOM – o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, ao lado do gabinete do ódio, sob o comando do secretário especial Flávio Augusto Viana Rocha

Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão e de sua prole.

Se o presidente ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.

Como vocês devem saber, depois que a Câmara dos Deputados enfiou no saco a proposta do voto impresso, o presidente anda bastante abatido.

Nesta quarta-feira, 18, no Pará, o presidente reconheceu a existência de problemas como queda na popularidade, inflação alta, aumento da conta de luz, dos combustíveis, do gás de cozinha, escalada de preços dos alimentos, crise hídrica e desemprego.

E, quando a oposição pensou que o líder da nação não tomaria nenhuma providência, o capitão surpreendeu a todos tirando do quepe a solução: rezem e tenham fé.

Bolsonaro chamou o secretário especial de comunicação da Secretaria de Comunicação Institucional e ordenou:

– Vamos investir pesado na propaganda institucional do meu governo!

– Como vamos fazer isso, presidente? O TSE determinou que as plataformas YouTube, Twitter, Instagram e Facebook suspendam a receita de canais bolsonaristas investigados por disseminarem desinformação sobre as urnas eletrônicas, o tratamento precoce e o sistema eleitoral brasileiro.

– Que youtuber, que nada! Vamos liberar verba para o Silas Malafaia,  Edir
Macedo e Valdemar Costa Neto para convencerem o povo a ter fé. Chega de investir em youtubers.

– Mas, presidente, a Secretaria está sem caixa – respondeu o secretário.

– Como sem caixa?! Cadê a verba da Secom? Não me diga que o PT saqueou a
Secom também?  

– O dinheiro acabou. O senhor não viu? O site The Intecept Brasil descobriu que a Secretaria gastou R$ 4,3 milhões só com celebridades para fazer merchandising do seu governo.

– Só isso?! A verba da Secretaria é de 577 milhões!! 

– Tem mais: para propagandear o falso “tratamento precoce” contra a Covid-19, baseado em medicamentos ineficazes contra a doença, segundo o site, foram gastos R$ 746 mil em cachê de celebridades. R$ 352,6 mil foram pagos a influenciadores e R$ 247,2 mil a radialistas – disse o secretário.  – Receberam para divulgar o “tratamento precoce”, por exemplo: César Filho, da Record (R$ 93,6 mil), Sikêra Júnior, da RedeTV! (R$ 24 mil), Marcelo de Carvalho, da RedeTV! (R$ 10 mil), Milton Neves, da Band (R$ 7,2 mil), Operação Mesquita, programa de Otávio Mesquita no SBT (R$ 6,3 mil) e Benjamin Back, do SBT (R$ 5,6 mil). Teve também repasse de verbas para a televisão.

– Eu avisei que não era para dar mais dinheiro para a Rede Globo, talkey?

– Não foi para a TV Globo, presidente, foi  para a Band, Record, SBT e RedeTV!

– Então, tudo bem! Não quero televisão comunista recebendo dinheiro do meu
governo. Nem “O Globo”, nem a “Folha de São Paulo”, nem o “Estadão”, nem a “Veja”, nem esses sites de esquerda. Zero. Nessa ‘cuestão’ daí eu já falei que estão fora. Se foi só isso daí, então sobrou dinheiro – ponderou o presidente.

– Tem mais, presidente. Consta também “pagamento de cachê” de R$ 1 milhão  à
dupla sertaneja Simone e Simaria, que fez propaganda sobre o combate à violência contra a mulher. Essa campanha custou ao governo federal R$ 1,7 milhão. O restante foi distribuído entre apresentadores da Band (Datena e Catia Fonseca), da Record (Ana Hickmann, Luiz Bacci e Ticiane Pinheiro), da RedeTV! (Nelson Rubens) e do SBT (Lívia Andrade).

– PA- TI-FA-RIA! Isso daí!

– Até suas páginas e a de seus filhos foram bloqueadas pelo TSE.

O presidente coçou a cabeça e perguntou:

– Como é que eu vou fazer para pagar aos pastores?

– Eles aceitam PIX? – perguntou o secretário.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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