Opinião

Golpe contra Dilma: virada decisiva na história brasileira

“Ali, na ruptura da democracia, com um impeachment sem nenhuma razão legal e constitucional, tiveram início as tragédias que o Brasil vive hoje”, escreve Emir Sader

Presidenta Dilma Rousseff durante declaração a imprensa após comunicado do Senado Federal sobre o Processo de impeachment. 31 de agosto de 2016
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Na guerra híbrida, a nova forma dos golpes da direita, o golpe contra a Dilma foi decisiva. Foi a forma de ruptura institucional da democracia, corroendo a democracia por dentro.

Da mesma forma que o golpe de 1964 foi gestado muito antes, com a fundação da Escola Superior de Guerra, no final dos anos 1940, o golpe contra Dilma tem seu antecedente mais importante alguns anos antes, com as mobilizações de 2013. Estas foram apropriadas pela direita, com sua mídia tendo um papel essencial para reverter as reivindicações iniciais, para impor a luta contra a política e contra a corrupção.

Essa desqualificação da política foi retomada nas mobilizações de 2015, na preparação do golpe de 2016. Contra a política era contra o PT, contra os governos do PT.

Ali, na ruptura da democracia, com um impeachment sem nenhuma razão legal e constitucional, tiveram início as tragédias que o Brasil vive hoje. Rota a democracia, já não era a vontade da maioria, mas a manipulação minoritária das elites, que passaram a prevalecer. 

O governo Temer, ao contrário dos governos Lula e Dilma, não foi produto da votação majoritária dos brasileiros, mas de um golpe, que tirou uma presidenta reeleita pela maioria dos votos da população, para colocar no seu lugar um vice, reeleito com um programa e que colocou em prática o programa derrotado da oposição. Se faltasse algo para caracterizar que foi um golpe contra a democracia, está aí essa virada para retomar o neoliberalismo, derrotado quatro vezes em eleições democráticas.

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Cortes 247

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