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“Um jogo que é apitado por um juiz ladrão não pode ter um resultado justo. Tá na hora de mudar e de acabar com essa pouca vergonha”, escreve Miguel Paiva

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Por Miguel Paiva, para o Jornalistas pela Democracia 

Com meus bons anos de vida não lembro, de imediato, de algum período em que a esculhambação estivesse instaurada no Brasil como agora. É verdade que a comunicação mudou muito e hoje você fica sabendo do mesmo fato em várias versões no arco de 24 horas. Na época do governo Jango Goulart, quando comecei a prestar a atenção no país em que vivia, apesar de ainda criança, a confusão foi grande. Houve manipulação das notícias, ingerência americana e o golpe militar se deu com grande apoio civil.

Hoje, com o governo eleito nessa onda reacionária, a mesma com outras roupas, que deu o golpe em 64, a incompetência travestida de conservadorismo, mostra o quanto ele veio para confundir e destruir ao invés de governar. A confiança na impunidade pavimenta a estrada dos absurdos que estamos percorrendo. Moro declara na maior cara de pau o quanto ganhou para assessorar as empresas que ele ajudou a destruir. E não revelou tudo, é claro. Foi declarado suspeito pelo STF e parece que isso não tem a menor importância. A mídia oficial continua tratando Moro como candidato a presidência, na boa, e pouco fala que ele é um juiz suspeito. Parte dessa mídia certamente apoia Moro para a presidência. Lula já foi inocentado, sim inocentado, diversas vezes, a mídia oficial pouco fala do juiz suspeito e prefere dar ênfase aos aspectos técnicos do processo que caducou realmente.

Bolsonaro usa e abusa do poder que tem para destruir o máximo que puder antes do Supremo tentar consertar. Um governo que depende do judiciário já começa a ser suspeito. Hoje vivemos uma intimidade quase imoral com os juízes da corte. Preferia nem saber o nome deles. Mas não, torcemos por eles como por uma seleção imaginária que tenta vencer o jogo da democracia.  

O presidente debocha da pandemia, despreza os adversários, descumpre a lei, desrespeita os ministros do Supremo e continua a sua trajetória idiotizante confiante no seu eleitorado. Alguns mais alarmistas até torcem por uma terceira via para aliviar essa tensão eleitoral entre Lula, o grande favorito e Bolsonaro a grande ameaça. Se não acontecer um golpe improvável, Lula está eleito. Se isso não acontecer é porque a classe dominante, e ai incluo a imprensa, os empresário e os bancos junto com a classe média, prefere de fato viver no inferno.  

A maldição montada contra o PT mais do se desfez. A verdade foi restabelecida e os erros corrigidos. Do mais importante que foi a armação para o golpe e suas terríveis consequências, pouco se fala. Parece que foi parte natural do processo democrático. Mas não foi. Desde antes da vitória de Dilma sobre Aécio que o golpe vinha sendo articulado. Escapou das mãos dos supostos “inocentes” bem intencionados que acham que os fins justificam os meios, para provar que quem dá golpe nunca é bem intencionado. Foi eleito democraticamente tem que ser substituído democraticamente também se o governo não agradar, diz a regra constitucional. Esse é o jogo e essa desfaçatez que determina as jogadas precisa acabar. Um jogo que é apitado por um juiz ladrão não pode ter um resultado justo. Tá na hora de mudar e de acabar com essa pouca vergonha.

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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