Por Alex Solnik
Ao indultar um deputado que se empenha em derrubar o estado de direito, ameaça a integridade física e xinga ministros do Supremo, Bolsonaro está sendo solidário com ele.
Está ao lado do fora-da-lei.
Homenagens a fora-da-lei constam de sua história na política como deputado. Mas agora é presidente da República. Representa mais de 200 milhões de brasileiros.
Conceder indulto no dia seguinte à condenação (que seria unânime se não fosse o voto do ministro Nunes Marques) é 1 uma afronta, um insulto e uma provocação jamais perpetradas contra o STF desde a redemocratização.
É um convite a que outros cometam os mesmos crimes contra o Supremo e outras instituições.
Mas os ministros do STF estão de mãos atadas. Têm que engolir o sapo. Cumpriram seu papel. Não podem interferir numa prerrogativa presidencial.
Indultar está dentro da constituição, mas indultar quem ataca a constituição é endossar os ataques à constituição que o presidente jurou seguir e defender ao tomar posse.
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