Tudo indica que o maior ativo político de Ricardo Nunes, na disputa pela reeleição, é Bruno Covas, de quem foi vice e a quem substituiu após sua morte.
É impossível preservar essa herança e ao mesmo tempo negociar a posição de vice com Bolsonaro. Ou seja: compartilhar o governo com essa seita que desgraça o país desde 2018.
Bruno Covas foi o oposto de tudo o que Bolsonaro é.
O sobrenome Covas sempre foi e sempre será associado à luta contra a ditadura, representado pelo ex-governador Mário Covas, avô de Bruno, enquanto o de Bolsonaro está ligado, dentre outros crimes, à tentativa de implantar uma ditadura.
Não dá para acender uma vela para Covas e outra para Bolsonaro.
Ao verbalizar o desejo de apoio de Bolsonaro, Nunes trai a memória da família Covas e se aproxima de um ex-presidente que, mais dia, menos dia, será preso e expurgado para sempre da vida política.
Negociar apoio de Bolsonaro é abraçar o afogado.
A única chance de Nunes se reeleger é se afastar dele.
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