Opinião

César Callegari aponta “homeschooling disfarçado” no PL do Novo Ensino Médio

Texto contempla a possibilidade de um “homeschooling disfarçado”, bem ao gosto dos bolsonaristas e do relator Mendonça Filho

Criança estudando em casa
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O Projeto de Lei do Novo Ensino Médio, aprovado ontem (20) na Câmara dos Deputados, está sendo tratado como “vitória do governo”. Não é bem assim, pois o texto contempla a possibilidade de um “homeschooling disfarçado”, bem ao gosto dos bolsonaristas e do relator Mendonça Filho (União Brasil-PE).

Segundo o educador César Callegari, ex-secretário de Educação de São Paulo (gestão Fernando Haddad) e por 12 anos membro do Conselho Nacional de Educação, o parágrafo 3º do artigo 35-a “admite que, para integralizar o ensino médio, o estudante pode aproveitar vivências extraescolares como, por exemplo, trabalhos voluntários”.

Ou seja, como ilustra Callegari, o garoto realiza um trabalho voluntário para uma igreja ou uma seita qualquer e, em troca, pode deixar de assistir a determinadas aulas. “Certamente, ele será orientado a abater as aulas de Filosofia, Sociologia, História ou Geografia, matérias consideradas ‘comunistas’ por essas seitas”, alerta o educador.

Esse “homeschooling disfarçado” já constava do projeto original do relator Mendonça Filho, o Mendoncinha, ex-ministro da Educação de Michel Temer, um dos responsáveis por excluir da Base Nacional Curricular tudo que fosse repudiado pela direita radical – ou burra? -, aquela que acredita num fictício marxismo cultural.

Para César Callegari, será difícil, no Senado, “tirar essa granada do bolso do Novo Ensino Médio”.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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