Opinião

Memória, história, ficção e a (re)construção do passado: os anos de chumbo em O lugar mais sombrio e Soledad no Recife

Romance histórico contemporâneo. O lugar mais sombrio. Ficcionalização. Soledad no Recife. Ficção impura

Protesto contra a ditadura militar
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Na mais recente quarta-feira 24 de julho de 2024, pude ver a defesa da dissertação de mestrado “Memória, história, ficção e a (re)construção do passado: os anos de chumbo em O lugar mais sombrio (2017 -) e Soledad no Recife (2009)” de Wesley Brito dos Santos. Vi os momentos finais, posso dizer.

Ainda assim, o que vi foi bom. Em primeiro lugar, porque é fato raro, raríssimo, um romance meu ser discutido na universidade pernambucana. Fato raro, raríssimo ou único? Nos minutos finais, quando o professor Oussama Naquar abriu um espaço para que eu falasse, eu lembrei que meus romances têm boa recepção fora do Brasil e de Pernambuco. Assim, Soledad no Recife recebeu comentário crítico do professor Roberto Vecchi, da Universidade de Bolonha, e de Alcir Pécora, na Revista Cult, de São Paulo. De Paulo Sérgio Pinheiro, no jornal O Estado de São Paulo, e de José Antônio Spinelli, da UFRN, no texto “Memória de afetos: cultura e revolução no Recife do tempo de Soledad Barrett Viedma”.

O romance mais recente, “A mais longa duração da juventude”, na sua tradução para o inglês como “Never-Ending Youth”, de Peter Lownds, publicado nos Estados Unidos, recebeu críticas ótimas de mestres e professores eruditos, dos Estados Unidos e da Europa. Como squi ‘Never-Ending Youth’: Urariano Mota’s novel-memoir of resistance to Brazilian fascismo” https://www.peoplesworld.org/article/never-ending-youth-urariano-motas-novel-memoir-of-resistance-to-brazilian-fascism/

Diria Ascenso Ferreira que o romance foi saudado , foi saudado pela “Oropa, França e Bahia”. Mas de Pernambuco que é bom, que deserto! https://m.media-amazon.com/images/I/61OihAFJr+L._AC_UF1000,1000_QL80_.jpg

Eu até imaginei e falei no encontro com Wesley Brito dos Santos ontem, que isso se dava porque posso ser facilmente encontrado tomando cachaça com caldo de feijão no Recife. Ou seja, um escritor assim, que não toma nem vinho, e natural do bairro periférico de Água Fria, era só o que faltava! Passemos a escritores mais sérios. E o sério e criador, amigos, está debaixo das fuças dos conterrâneos, envergonhadíssimos de um escritor pobre da minha altura. Falo sem mágoa, apenas pelo dever supremo da ironia. 

O que fazer? Eu sou o que escrevo. Esta é a minha única riqueza material e espiritual. Eu sou o que deixo para a sensibilidade humana de qualquer lugar do mundo. Até do Recife e de Olinda. 

Simbora, amigos. 

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