247 – O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (3), em cerimônia no Palácio do Planalto, que “não existe limite para investimentos em educação”, ao defender a expansão da rede pública de ensino, a criação de novos institutos federais e a valorização dos professores. A declaração foi feita durante evento de entregas simultâneas do governo federal nas áreas de educação, saúde e habitação.
No evento, Lula acompanhou ações realizadas ao mesmo tempo em diferentes estados, incluindo a inauguração de dez novos campi da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, entregas de equipamentos para a saúde pública e moradias do Minha Casa, Minha Vida. As novas unidades de ensino receberam investimento de aproximadamente R$ 206,6 milhões, dos quais R$ 196,5 milhões vieram do Novo PAC.
“A educação é uma coisa que não tem limite para que a gente possa fazer investimentos”, disse Lula. O presidente afirmou que tem cobrado prefeitos a colaborarem com a expansão dos institutos federais, principalmente por meio da oferta de terrenos ou prédios para instalação das unidades.
“Tenho feito provocações aos prefeitos, e quero agradecer a todos os prefeitos que colaboraram com os institutos. Se o prefeito oferecer o terreno ou um prédio, todas as cidades terão um instituto. É só oferecer o terreno que a gente vai fazer uma avaliação da população da região e a gente vai fazer o instituto, vai fazer universidade”, declarou.
Lula associou a ampliação da rede federal de ensino à estratégia de desenvolvimento do país. Para o presidente, a educação precisa ocupar o centro das prioridades nacionais para que o Brasil consiga avançar em produtividade, inovação e qualidade de vida. “Não há outra possibilidade do Brasil dar um salto de qualidade que todo mundo sonha se a gente não colocar a educação como prioridade número 1 do nosso governo. É formar o futuro do país a partir de escolas de qualidade”, afirmou.
Durante o discurso, o presidente citou programas como escolas de tempo integral, alfabetização na idade certa, Pé-de-Meia e bolsas voltadas a estudantes de alto desempenho no Enem que optem pela carreira docente. Segundo Lula, essas iniciativas têm o objetivo de fortalecer a permanência dos jovens na escola e incentivar a formação de novos professores.
“Por isso estamos investindo muito em escolas de tempo integral, na alfabetização na idade certa, por isso criamos o Pé-de-Meia e por isso criamos uma bolsa para que os melhores alunos do Enem que quiserem ser professores recebam uma bolsa, porque tinha gente que não queria mais ser professor”, disse.
O presidente afirmou ainda que o desenvolvimento brasileiro depende da capacidade de transformar conhecimento em força produtiva. Lula mencionou a relevância do agronegócio nas exportações brasileiras, mas disse que o país só alcançará outro patamar quando se consolidar também como produtor e exportador de inteligência.
“A gente está incentivando porque é através de uma sala de aula que a gente vai levar o Brasil ao patamar de um país altamente desenvolvido. O Brasil é um grande exportador de soja, de milho, de açúcar, de carne, de muita coisa. Mas a gente só vai ser consagrado quando a gente for exportador de inteligência, de conhecimento. Aí a gente vai dar um salto de qualidade”, declarou.
Na educação, os dez novos campi inaugurados estão localizados em São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Piauí. A maior parte das unidades pertence ao Instituto Federal de São Paulo, com sete novos campi. Também foram entregues uma unidade do Instituto Federal do Amazonas, uma do Instituto Federal do Espírito Santo e uma do Instituto Federal do Piauí.
As estruturas contam com salas de aula, laboratórios, bibliotecas, quadras poliesportivas, áreas administrativas, refeitórios e espaços de convivência. Juntas, as unidades terão capacidade para ofertar 11,6 mil novas vagas em cursos técnicos e superiores.
A expansão integra um plano mais amplo de fortalecimento da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Ao todo, o governo prevê R$ 4,3 bilhões para a construção de mais de 100 novos campi de institutos federais, além de obras de melhoria, ampliação e consolidação da infraestrutura de unidades já existentes.
Lula também relacionou o evento desta sexta-feira ao calendário eleitoral. Segundo ele, a partir de agora, o governo entra em um período no qual não poderá participar de inaugurações por causa das eleições, embora o presidente tenha afirmado que seguirá visitando obras e ações públicas.
“A gente está fazendo isso porque a gente, a partir de hoje, não pode inaugurar mais nada, por causa das eleições. Nós temos o período de defeso. A gente não pode inaugurar mais nada até as eleições. Embora eu não possa inaugurar, eu vou visitar muitas coisas que eu ainda tenho que visitar”, afirmou.
O presidente também citou obras de infraestrutura realizadas no Nordeste. Ele lembrou a inauguração do último trecho da transposição do São Francisco para levar água ao Canal de Apodi, no Rio Grande do Norte, e classificou o projeto como uma das maiores obras hídricas do mundo.
“Ontem participei de duas coisas que são dois sonhos antigos meus. Primeiro, fui inaugurar o último trecho da transposição do São Francisco, levando água para o Canal de Apodi, no Rio Grande do Norte. Essa transposição é hoje possivelmente a maior obra hídrica do mundo”, disse.
Segundo Lula, a transposição reúne 1,4 mil quilômetros de canais e 15 mil quilômetros de adutoras, com o objetivo de ampliar a segurança hídrica no semiárido nordestino. Ele também mencionou a Transnordestina, ferrovia com quase 1,7 mil quilômetros que interliga Piauí, Pernambuco e Ceará.
“Fomos inaugurar 700 e poucos quilômetros e ontem mais 100, e ainda esse ano vamos inaugurar mais 100. Até o meio do ano que vem a gente pode inaugurar essa ferrovia, que é uma ligação muito importante para o Nordeste”, afirmou.
Ao defender investimentos públicos, Lula criticou a ideia de esperar sobra de recursos para aplicar em áreas estratégicas. Para ele, obras em educação, saúde, ferrovias, rodovias e hidrovias devem ser vistas como instrumentos de geração de emprego, renda e desenvolvimento.
“Essas coisas, se a gente só for fazer quando alguém disser ‘tem dinheiro’, a gente nunca faz. Investir na educação, se eu esperar meu pessoal da Fazenda, do Planejamento dizer ‘está sobrando dinheiro, vamos colocar na educação?’, a gente nunca vai investir, porque nunca vai sobrar. Dinheiro público nunca sobra”, afirmou.
O presidente encerrou a defesa da área educacional dizendo que, em seu governo, recursos destinados ao setor não devem ser tratados como despesa. “E dinheiro bom não é dinheiro guardado, é dinheiro investido em obra, em educação, saúde, ferrovia, em rodovia, hidrovia. Dinheiro bom é dinheiro que gera mais dinheiro, mais emprego, mais renda, mais desenvolvimento e conquista para todo mundo. Aqui nesse governo é proibido a palavra ‘gasto’ quando se fala em educação”, declarou.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:






Participe da discussão