Opinião

Mandato de Glauber interessa ao país

A mobilização de eleitores e eleitoras, do Rio e de fora dali, é o caminho necessário para impedir um ataque tão covarde aos direitos do povo

Glauber Braga
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Primeira etapa de uma jornada na qual será resolvido o destino do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), o dia de ontem terminou sem grandes surpresas.

Após sete horas de discussão, a Comissão de Constituição e Justiça fechou os olhos para os argumentos da defesa e, por 44 votos a 22, deu início a um ritual que pode conduzir um dos mais ativos parlamentares do Congresso brasileiro ao cadafalso das cassações de mandato.

Vamos prestar atenção no que ocorreu, pois parece um episódio corriqueiro mas não é.

O motivo para uma decisão dessa gravidade não possui nenhuma grandeza. Não envolve qualquer denúncia de interesse público nem diz respeito a uma questão de interesse nacional.

É um episódio menor, mas que, num plenário de forte presença fascista-bolsonarista, pode ser útil a interesses de natureza nada republicana – cuja valor, gigantesco ou inconfessável, cada um julga por si.

Ofendido pela grosseria do agit-prop bolsonarista Gabriel Costenaro, provocador que se infiltrou na Câmara de Deputados em abril para participar de uma baderna fascista, Glauber reagiu no braço quando xingaram sua mãe. Enfrentou o invasor fascista com chutes e empurrões, atitude que seria chocante em condições normais de pressão e temperatura, mas obviamente possui outro oxigênio em situações de tensão política.

Criada numa família de respeitados políticos do Estado, hoje uma das referencias da política fluminense, a deputada Laura Cardoso admite sem receio: “No lugar dele eu teria feito a mesma coisa”, visão que vários colegas de plenário partilham.

O destino de Glauber Braga será resolvido pelo voto em plenário, em data que ainda não foi anunciada. Pode ser uma cena corriqueira do Congresso brasileiro. Ou uma jornada de luta, numa demonstração de que o país não perdeu a consciência política nem seus valores morais.

Enquanto os carrascos do fascismo afiam seus mórbidos instrumentos, a mobilização de eleitores e eleitoras, do Rio e de fora dali, é o caminho necessário para impedir um ataque tão covarde aos direitos do povo. Não há alternativa.

Num comportamento exemplar, o próprio Glauber apontou o caminho da luta, numa greve de fome de 9 dias quando perdeu 4 quilos, em rara demonstração de garra e consciência política.

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