A desumanização dos palestinos sob regime de terror e massacre é acentuada por atos cada vez mais perversos revestidos de banalidade.
É um processo acelerado de esvaziamento da vida para reduzir à condição de subgente e legitimar o abate como insetos desprezíveis e nocivos.
A expansão progressiva de ações violentas mira a incorporação da crueldade ao cotidiano para mitigar a repulsa e anestesiar a sensibilidade.
O saldo são absurdos noticiados sem alarde sob uma perplexidade esfacelada por monstruosidades a cada dia mais brutais – e habituais.
Populações sem casa, destinos sob escombros, famílias aos pedaços – emocional e fisicamente. Crianças estilhaçadas por mísseis, infâncias abreviadas por traumas, fome imposta como meio de humilhação, subjugação, domínio.
E, agora, como isca para o ápice temporário da maldade: o fuzilamento de multidões deslocadas em busca do mínimo de comida para sobreviver.
É “rotina”, diz a manchete dos jornais.
Vale repetir: rotina.
A mera ideia de famintos serem emboscados para assassinato por uma força armada despertaria ojeriza mundial instantânea e ações urgentes.
Mas a escalada de violências anestesia a alma coletiva sob inércia e covardia – e a perplexidade vira antessala da futura atrocidade mais grave.
É preciso acordar – a rotina de desumanização dos palestinos é a morte da humanidade.
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