247 – O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar a decisão da Prefeitura de São Paulo de encerrar as atividades do Centro Comunitário São Martinho de Lima, na Mooca, zona leste da capital. O espaço distribui diariamente cerca de 450 refeições para pessoas em situação de rua. O promotor Ricardo Manuel Castro recomendou que a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) não efetive o fechamento antes de apresentar justificativas formais. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
O representante do Ministério Público concedeu prazo de dez dias para que a prefeitura apresente “prova inequívoca” das razões administrativas e jurídicas que embasaram a decisão e informe quais medidas serão adotadas para garantir atendimento à população atendida pelo local. Fundado há mais de três décadas pelo padre Júlio Lancellotti, o centro comunitário se consolidou como um ponto de apoio para pessoas em situação de rua na região. Atualmente, o religioso não participa da administração do espaço, embora tenha sido responsável pela criação da iniciativa.
Vistoria urgente
A investigação também determinou que o Núcleo de Assessoria Técnica Psicossocial do Ministério Público realize uma vistoria urgente no local para avaliar as condições do atendimento e o impacto da medida para os frequentadores do centro.
A secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Eliana Gomes, afirmou que o encerramento do serviço foi definido após estudos técnicos e integra um processo de reorganização da rede de assistência social da cidade. Segundo ela, os usuários não ficarão sem atendimento. Eliana declarou que “ninguém vai ficar sem alimentação e sem acolhimento”. De acordo com a prefeitura, o fechamento ocorrerá de forma gradual ao longo de um mês e os frequentadores serão direcionados para outras unidades da rede.
Arsenal da Esperança
Entre as alternativas citadas está o Arsenal da Esperança, equipamento que possui cerca de 1.100 vagas para acolhimento noturno e outras 350 para atendimento diurno e oferta de almoço. Segundo a gestão municipal, levantamento indicou que aproximadamente 70% das pessoas atendidas no centro comunitário já utilizam o abrigo à noite.
A administração municipal informou ainda que o Arsenal da Esperança passará a oferecer cerca de 900 refeições adicionais por dia, além das 350 atualmente servidas, para absorver a demanda. A unidade também disponibiliza oficinas e cursos profissionalizantes para os usuários.
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