Argentina homenageia seus mortos e desaparecidos durante a ditadura

Todo 24 de março, a Argentina se mobiliza para repudiar o golpe militar, ocorrido há 46 anos

Alberto Fernández
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Agência Regional de Notícias Em um dia emocionante, a Argentina comemorou os mortos e desaparecidos durante a última ditadura (1976-1983), 46 anos após o golpe de estado, com diversas atividades que incluíram manifestações nas ruas e o reconhecimento de oito trabalhadores e cientistas do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) que estavam desaparecidos.

O presidente do país, Alberto Fernández, enfatizou que todo dia 24 de março, em que se comemora o Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça, “é um dia emblemático” para o país porque “se une para repudiar o ocorrido”. Nesse sentido, o presidente destacou que está “indignado e envergonhado” por haver discursos que negam crimes contra a humanidade. 

“Todo 24 de março, a Argentina se une para repudiar o ocorrido. Nisso não temos diferenças ou distâncias. Alguns são mais progressistas, outros mais peronistas e outros de outra cor, mas todos sabemos que houve uma ditadura que perseguiu, matou, assassinou, condenou ao exílio, fez a Argentina desaparecer como nenhum outro governo jamais o fez”, destacou. 

Fernández participou de um ato no qual foi anunciada a “reparação dos arquivos” dos oito trabalhadores desaparecidos do Conicet e ali destacou a necessidade de “de uma vez por todas” saber “tudo o que aconteceu e falar sem meias tintas”. 

O presidente disse que os militares que participaram da ditadura são “imorais que tomaram o poder e fizeram 30.000 argentinos desaparecerem da face da terra”. 

Uma das que participou do evento foi a dirigente do coletivo Mães da Praça de Maio, Taty Almeida, que disse que embora “muito poucos” da organização ainda estejam vivos, estão tranquilos “porque há uma juventude maravilhosa, uma juventude militante” e ressaltou que não podem falhar “com aqueles que não estão lá”. “Memória, verdade e justiça não são palavras, são nosso pensamento como argentinos”, destacou. 

Nas ruas, milhares de pessoas marcharam em Buenos Aires desde a antiga Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA), que funcionou como centro clandestino de detenção e tortura durante a ditadura, até a histórica Plaza de Mayo, em memória dos desaparecidos e assassinado e com a palavra de ordem de “ditadura nunca mais” no país sul-americano.

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