Golpe em Honduras: membro do Conselho Eleitoral denuncia proclamação ilegal, apressada e arbitrária de Asfura

Conselheiro eleitoral do CNE, Marlon Ochoa enfatizou que Honduras só alcançará a soberania quando a cidadania puder decidir seu futuro sem ingerência

Marlon Ochoa
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247 – O membro titular do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras Marlon Ochoa denunciou na quarta-feira (24) como ilegal a proclamação de Nasry Asfura, candidato da direita, como presidente do país, decisão adotada pelas outras duas integrantes do órgão eleitoral, Ana Paola Hall e Cossette López. A reportagem é da teleSUR

Ochoa afirmou que ambas as conselheiras, representantes do bipartidarismo, avançaram de forma apressada para uma declaração definitiva sem que a apuração total dos votos tivesse sido concluída e sem que fossem resolvidas as denúncias apresentadas nem os pedidos de recontagem.

Segundo ele, a medida teria sido imposta a partir de uma sede diplomática, em referência a versões jornalísticas que indicam que Hall e López estariam operando desde a embaixada argentina em Tegucigalpa por supostas razões de segurança, após permanecerem fora da cena pública por quase duas semanas.

O dirigente, que representa no CNE o partido governista Liberdade e Refundação (Libre), afirmou compreender também o rápido reconhecimento concedido pelos Estados Unidos à vitória de Asfura, um candidato que — lembrou — contou com o apoio explícito do presidente norte-americano Donald Trump durante a campanha.

Nesse contexto, declarou que Washington e setores de poder aliados ao crime organizado buscam um governante que atenda a seus interesses, mesmo que isso implique avalizar um “golpe de Estado eleitoral”.

Ochoa enfatizou que Honduras só alcançará uma verdadeira soberania quando a população puder decidir seu futuro sem ingerências externas nem imposições de elites políticas.

Ele também pediu que fique registrado historicamente que 24 de dezembro de 2025 marcou o dia em que a vontade popular foi substituída por interesses imperiais.

Em resposta, a presidente do CNE, Ana Paola Hall, rejeitou as acusações e afirmou que o órgão eleitoral não escolhe presidentes, limitando-se a validar a decisão expressa pelo povo nas urnas.

As eleições presidenciais foram realizadas em 30 de novembro e foram marcadas por interrupções na apuração, denúncias de irregularidades e pedidos de anulação apresentados pelo Libre. Essa força política também denunciou que pressões externas, incluindo ameaças e declarações de Donald Trump, condicionaram a liberdade de voto de parte do eleitorado.

Nasry Asfura, candidato do conservador Partido Nacional, foi proclamado vencedor por Hall e López, que representam os dois partidos tradicionais de direita — o Liberal e o Nacional — dentro do CNE. De acordo com a Constituição hondurenha, o presidente eleito tomará posse em 27 de janeiro para um mandato de quatro anos.

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Cortes 247

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