Sputnik – Durante a conferência matinal de 22 de setembro, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, insistiu na polêmica gerada pelo tema da conquista, que começou quando o presidente mexicano enviou uma carta à Coroa espanhola para exigir um pedido de desculpas pelo massacre dos povos pré-hispânicos, em março de 2019.
A questão surgiu depois que o presidente mexicano destacou o grande trabalho científico dos criadores das vacinas contra a Covid-19, que, em menos de um ano, entregaram um medicamento eficaz e seguro.
Obrador assegurou que há muito se diz que os conquistadores espanhóis “vieram para nos civilizar”; no entanto, ele rejeitou essa ideia, uma vez que, antes da chegada dos europeus, “grandes civilizações, grandes culturas floresceram”.
O chefe do Poder Executivo mexicano continuou sua apresentação, reconhecendo que a conquista trouxe algum progresso ao México – implementando as universidades e trazendo a imprensa – mas que não poderia ser reconhecido como tal, pois em três séculos eles não conseguiram criar um vacina contra varíola, doença importada que causou a morte de praticamente metade da população.
“Sim a universidade, sim a imprensa, sim outras coisas, claro. Mas quando os conquistadores chegaram, o que é hoje o México tinha 16 milhões de habitantes, e três séculos depois o México tinha oito milhões, porque a varíola foi introduzida e, em três séculos, eles não foram nem capazes de criar uma vacina. O que demorou um ano na época consumiu três séculos. Então, que avanço?”, questionou Andrés Manuel López Obrador.
O político mexicano esclareceu que não está culpando ninguém e apenas apóia um debate que visa deixar de ensinar que a Espanha libertou e civilizou o México.
Porém, no final da sua participação, qualificou o seu comentário e explicou que esta visão da conquista é promovida pelas elites da Espanha por falta de humildade, visto que o povo espanhol “é um povo trabalhador, um povo honesto, um povo irmão”.
“Amamos muito, muito, muito o povo espanhol, que é um povo trabalhador, um povo honesto, um povo irmão. Mas isso não tem nada a ver com o povo espanhol, tem a ver com as elites, que têm uma arrogância, pretensões de superioridade, eles não sabem ser humildes, mas em todo caso os respeitamos muito, e vivamos a Espanha e vivamos o México”, disse.
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