247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30) que o crime organizado é “um dos maiores desafios” da América do Sul e defendeu uma resposta coordenada entre os países do Mercosul para enfrentar redes criminosas que atuam em escala regional. A declaração foi feita durante discurso na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai.
No discurso aos líderes do bloco, Lula afirmou que o combate ao crime organizado deve envolver cooperação policial, judicial e financeira entre os países da região. O presidente também defendeu que o Pacto Regional pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, proposto pelo Brasil, seja tratado com urgência pelo Mercosul.
“O Pacto Regional Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, proposto pelo Brasil, merece ser considerado com muita urgência”, afirmou Lula.
Ao tratar da segurança pública regional, o presidente disse que a presença de organizações criminosas compromete a democracia, o desenvolvimento e a autoridade do Estado. “Não há democracia forte ou desenvolvimento duradouro onde o crime organizado corrói a autoridade legítima do Estado. Esse é um dos maiores desafios da nossa região”, declarou.
Lula afirmou que o crime organizado amplia sua influência por meio do controle de territórios, da intimidação de comunidades, da destruição ambiental, da corrupção, do desvio de recursos públicos e da atuação no ambiente digital. Segundo o presidente, a resposta dos governos precisa ocorrer na mesma dimensão do problema.
“O crime organizado controla territórios, intimida comunidades, destrói o meio ambiente, alimenta a corrupção, desvia recursos públicos e expande sua atuação para o mundo digital. Nossa cooperação policial, judicial e financeira precisa atuar na mesma escala”, disse Lula.
O presidente citou como avanço a aprovação da Estratégia e Comissão Mercosul de Combate ao Crime Organizado, definida na cúpula anterior do bloco, realizada em Foz do Iguaçu. Para Lula, a iniciativa representa um passo importante na construção de mecanismos permanentes de coordenação regional contra facções e redes transnacionais.
“No Brasil, priorizamos o fortalecimento da inteligência e da cooperação internacional para asfixiar os escalões mais altos das redes criminosas e combater o tráfico de drogas e de armas”, afirmou o presidente.
Lula também mencionou a criação do Centro de Cooperação da Polícia Internacional em Manaus, com a presença de policiais de todos os países amazônicos. A estrutura, segundo o presidente, integra os esforços brasileiros para ampliar a troca de informações e a atuação conjunta em áreas de fronteira e na Amazônia.
Durante o discurso, Lula anunciou ainda uma nova iniciativa em parceria com a Interpol para enfrentar o crime organizado na América do Sul. A sede do projeto será o Escritório Regional da Interpol em Buenos Aires.
De acordo com o presidente, o Brasil vai custear por um ano a presença de delegados dos 12 países da região na capital argentina. A medida tem como objetivo ampliar a coordenação contra o tráfico internacional de drogas e o crime organizado.
“Em parceria com a Interpol, estamos implementando nova iniciativa para o enfrentamento do crime organizado na América do Sul, cuja sede será o Escritório Regional da Interpol em Buenos Aires”, afirmou Lula. “O Brasil vai custear a presença de delegados dos 12 países da região na capital Argentina por um ano, para ampliar a coordenação no combate ao tráfico internacional de drogas e ao crime organizado.”
A fala de Lula na Cúpula do Mercosul reforçou a posição do governo brasileiro de tratar a segurança pública como tema regional, diante da atuação transnacional de grupos criminosos e da necessidade de integração entre forças policiais, sistemas judiciais e órgãos de inteligência.
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