ONU pede ao governo colombiano que cumpra o Acordo de Paz

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres afirmou que a presença integral do Estado é necessária para conter a violência e agir frente aos alertas precoces

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TeleSur – Quase cinco anos após a assinatura do Acordo de Paz na Colômbia, o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exortou o governo do país a disponibilizar os recursos e continuar a trabalhar para cumprir todos os seus pontos.

Conforme anunciou o titular do órgão multilateral no informe trimestral da Missão de Verificação da ONU na Colômbia, no qual afirmou que, apesar dos pontos cumpridos, o acordo enfrenta muitos desafios e fatores de risco para seu cumprimento a longo prazo.

Entre as conquistas, Guterres citou o cessar-fogo bem-sucedido, a demissão de armas de ex-combatentes por sua participação na democracia e a criação de espaços de integração das comunidades na formulação de planos de desenvolvimento e alternativas às economias ilícitas.

Além disso, o relatório destacou a abordagem de gênero como elemento pioneiro nos processos de paz no mundo.

No entanto, o diplomata destacou que “a violência contra ex-combatentes, lideranças sociais e defensores dos direitos humanos continua concentrada em 25 municípios do país”.

Por sua vez, informou que 14 ex-insurgentes das Forças Alternativas Revolucionárias Comuns (FARC), todos homens, foram mortos no último trimestre coberto pelo relatório, de modo que 292 já morreram desde a assinatura do acordo, incluindo cerca de nove mulheres 

Da mesma forma, especificou que os departamentos de Cauca, Nariño e Valle del Cauca respondem por mais de um terço de todos os assassinatos, de modo que a segurança dos ex-combatentes se deteriorou muito.

O gabinete do Alto Comissariado para os Direitos Humanos recebeu informações sobre 43 defensores dos direitos humanos assassinados, num total de 158 em 2021. Também ocorreram 11 massacres que deixaram 38 vítimas e outras 16 que estão a ser verificadas.

Por outro lado, destacou os avanços da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) e do Sistema Integral pela Paz na busca da justiça de transição e indenização para familiares das vítimas de desaparecimento forçado e pediu a todos os colombianos o apoio, o respeito e a contribuição para seus esforços

Guterres mencionou que os deslocamentos em massa continuam sendo uma consequência da violência persistente nas comunidades indígenas e afro-colombianas em Atioquia, Bolívar, Cauca, Chocó, Córdoba e Nariño.

O diplomata afirmou que a presença integral do Estado é necessária para conter a violência e instou as instituições a atuarem de acordo com as recomendações das advertências emitidas pela Ouvidoria.

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