Prensa Latina – A juíza do departamento de Tacuarembó, Carla Gómez, abriu processo contra o ex-tenente do Exército Carlos Chaine, vulgo ‘El Chajá’, por crimes de privação de liberdade, constrangimentos físicos diversos e tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes não permitidos por lei, pela Constituição ou por regulamentos.
Quatro militantes comunistas, Emilio Toribio, Ariel Zapata, Carlos Pintos e Julio Basualdo, foram detidos e torturados no 5º Regimento de Cavalaria Mecanizada de Tacuarembó, entre 6 e 20 de fevereiro de 1976, e posteriormente transferidos para a prisão de Libertad, onde permaneceram até dezembro 25 daquele ano.
O ex-militar é responsabilizado pela repetição de atos como espancamentos, pau-de-arara, cavalete, eletrochoques e enforcamentos, capuzes e alimentos e bebidas insuficientes ou inexistentes, bem como acesso limitado ao banheiro contra os prisioneiros.
Gómez afirmou na audiência do caso que os presos sofreram diversos tormentos para se obter informações que, por suas características e relevância, lhes causaram lesões de diversas naturezas e, em alguns casos, colocaram suas vidas em perigo.
A justiça uruguaia mantém e processa os autos da ditadura e dos direitos humanos, com o impulso da Promotoria Especial de Crimes contra a Humanidade, criada no governo anterior, da Frente Ampla.
Esta legislação contribuiu para neutralizar a Lei da Caducidade acordada após a ditadura pelo governo presidido por Julio María Sanguinetti e a instituição militar para deixar os repressores uniformizados impunes.
A situação mais crítica refere-se a 197 detidos desaparecidos contra os quais ex-comandantes das Forças Armadas mantêm um pacto de silêncio já denunciado.
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