2020: o ano que teima em não acabar

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Diz o dito popular que para tudo “há um fim”. Ou seja, se você vive alguma coisa, seja ela boa ou ruim um dia aquilo acaba. Talvez por isto que na infância namoramos com a melhor amiga da escola, a vizinha que nos parece ser a mais bela da rua, as centenas de melhores amizades que construímos ao longo das nossas vidas. Sempre haverá um inicio e um fim. Não necessariamente ruim, mas ele chega e há novos recomeços. 

Em 1918 a terra foi tomada por uma peste que ficou conhecida como a Gripe Espanhola. Foi tão mortal que segundo todas as informações que nos foram deixadas, teriam sido infectadas mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Já os mortos chegaram a 17 milhões de pessoas. 

Antes porem, teve a Peste Negra que segundo o que se sabe hoje, foi o mais devastador vírus que já infectou o planeta. Ele teria matado em torno de 200 milhões de pessoas. Sua maior contaminação foi na Eurásia e atingiu seu ápice na Europa lá pelos anos de 1347 e 1351. 

Pragas de piolho, catapora, chato e outras tantas, fizeram durante séculos que cientistas se debruçassem nos estudos de causas, efeitos e curas. Mas eis que após todos estes desastres já ocorridos chegamos ao ano de 2020 e com ele o Brasil, como todo o mundo, é acometido de mais um Vírus, nominado de Covid-19. E se isto não fosse pouco, aqui ainda temos os negacionistas. Um grande número de pessoas que começou a contestar o próprio surto que vem matando milhares de pessoas e que ontem 31 de dezembro de 2020 já teria matado 200 mil pessoas no país. 

Se isto não fosse pouco, o presidente em exercício do Brasil Jair Bolsonaro, um negacionista de carteirinha, quase que diariamente incentiva seus seguidores a não tomarem a vacina que ele por incapacidade não consegue viabilizar a compra e distribuição à população. E este grupo saiu às ruas para protestar contra a vacinação que sequer tem uma data para acontecer. Ocorre algo incompreensível que é a negação da ciência de resultados. 

Mas o ano de 2020 não viveu exclusivamente do Covid-19. Já teve eleições com suspeita de compra de votos por todos os estados, criando a sensação de que quem se elegeu não seria a verdadeira vontade do popular. O termo “miliciano” se tornou tão conhecido que o próprio presidente da republica foi envolvido, já que seus filhos, o senador Flávio e Carlos Bolsonaro apareceram juntos de pessoas classificadas socialmente como tais. 

O termo “feminicídio” apareceu na imprensa tanto quanto se falou do fim das novelas por conta da pandemia. E a cada dia, novos casos de mortes foram registrados. Há um medo de que com tanta visibilidade outros malucos possam ter a mesma ideia dos que já praticaram. 

No Nordeste não teve as “festas de São João”, o maior evento popular da região. No Brasil o Natal foi em confinamento quase que total. O Ano Novo que deveria ter sido ontem, passou que ninguém sentiu aquela sensação de que algo bom e novo vai acontecer. Enquanto isto, a classe artística passa por dificuldades e há notícias de que muitos estão passando fome. 

Para tentar terminar o que nem deveria ter começado lá pelo 1º de janeiro de 2020, há relatos de festas com centenas e até milhares de pessoas nos últimos dias. As imagens mostram que em sua maioria elas não usaram máscaras. É certo que a contaminação será ainda maior neste janeiro por todos os lados. É o primeiro de janeiro que teima em não mudar o calendário e devemos continuar vivendo ainda por um longo período, sem vacinas, sem responsabilidades, sem governo, sem justiça, sem perspectiva de que o Brasil dará certo a curto espaço de tempo. 

2020 deve continuar seu percurso, mesmo que tentemos crer que 2021 já chegou.

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