A candidatura do Danilo Gentili é real, e isso é bom para a esquerda

A escolha da entrada de um nome presidenciável de bom desempenho pode ajudar a negociação do MBL com um partido único, já que hoje seus membros estão distribuídos em vários partidos, passo que parece estar amadurecendo dentro do movimento

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Não é novidade que o rompimento do MBL com Bolsonaro deu fim à breve amizade entre os grupos políticos de ambos. O MBL, importante base eleitoral de Bolsonaro em 2018, terá candidatura própria, sustentada por grupos como MBL, Vem pra Rua, “lavajatistas” e admiradores de Moro, Nando Moura e outros nomes da direita que se juntaram na web.

Essa aliança levou recentemente ao lançamento do humorista Danilo Gentili como candidato à presidência, estou acompanhando grupos de apoio à Gentili no whatsapp e vou dividir com vocês algumas das impressões até aqui.

Antes de qualquer coisa a quem ainda tiver dúvidas, a campanha de Gentili é um esforço real do MBL para ter uma candidatura a presidente, esse esforço é necessário para a estratégia do MBL de puxar votos através de uma candidatura a presidente. A estratégia foi bem sucedida em São Paulo nas últimas eleições municipais e deverá ser repetida nas eleições presidenciais. Para um movimento que precisa crescer e marcar posição, uma candidatura a presidente e espaço na mídia é essencial.

Nos grupos Danilo já aparece com 6% das intenções de votos em fake news distribuídas como forma de motivar seu público, porém, o candidato apareceu com 2% dos votos na última pesquisa da Exame/Ideia realizada em 23 de abril.

O público do MBL é formado majoritariamente por jovens com tendências liberais que pregam o estado mínimo, porém, há entre eles anarco-capitalistas, situação comum entre jovens atualmente. Há ainda quem se intitule centro-direita, mas parecem ser uma minoria. Dentre os que não se identificam politicamente pode-se notar posturas liberais, como “imposto é roubo”, o “estado só atrapalha” e posições semelhantes.

A linguagem e postura de Danilo, comediante que se desenvolveu no CQC, é bastante atrativa para esses jovens, que vêem em sua figura uma postura de enfrentamento ao sistema que Bolsonaro já não representa mais desde a saída de Moro do governo. Polêmicas, ataques diretos, uso excessivo de ironia dão voz ao sentimento de frustração desses jovens.

Já Sérgio Moro é um caso à parte nessa história. Afastado em função de diversas atitudes politicamente desastrosas, sendo considerado suspeito pelo STF e tendo ido rumo ao mercado privado, o lavajatismo ficava sem um candidato para chamar de seu, até agora.

A candidatura não parece estar sendo construída de maneira única, já há movimentação entre o grupo que sustenta Danilo e o partido NOVO para a construção de uma chapa. Somados, os nomes de Moro, Danilo e Amoedo chegam a 12% das intenções de voto.

Acredito que há uma limitação para o crescimento desse público e dessas ideias até 2022, porém, há uma boa probabilidade que uma candidatura robusta do NOVO e MBL consiga dividir os votos que foram dados a Jair Bolsonaro em 2018.

Nos grupos, Bolsonaro é o alvo principal e o MBL certamente notou, com análise de métricas de suas redes, que bater em Bolsonaro é o que tem rendido mais engajamento. Entendo que as críticas a partir da direita têm maior potencial de causar dano a Bolsonaro, já que estão ideologicamente mais próximas dele.

Uma rápida análise das mídias do MBL consegue perceber que ainda há muitos apoiadores do presidente que acompanham e discutem com membros do movimento, essa crítica feita por membros da própria direita tem maior probabilidade de causar danos do que aquelas vindas de nomes relacionados à esquerda, dado o efeito de bolhas e viés de confirmação.

Outro ponto que pode incomodar Bolsonaro é que a emoção na qual Bolsonaro surfou sozinho em 2018, a raiva do sistema, o sentimento anti-esquerda e o medo do comunismo serão agora divididos com outro campo político. Havendo conflitos entre esses campos esse efeito pode ajudar com que eleitores do campo do MBL escolham o voto nulo em eventual segundo turno com Bolsonaro, ou mesmo que haja uma divisão tão grande que Bolsonaro fique fora do segundo turno, abrindo espaço para uma candidatura do centro disputar com Lula.

A escolha da entrada de um nome presidenciável de bom desempenho pode ajudar a negociação do MBL com um partido único, já que hoje seus membros estão distribuídos em vários partidos, passo que parece estar amadurecendo dentro do movimento.

Há óbvias dúvidas e receios acerca do desempenho da candidatura, que pode até parecer uma piada, mas que acredito, veio para ficar e irá causar danos na candidatura de Bolsonaro.

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