A caravana passa e os cães ladram

O Supremo Tribunal Federal botou areia na paçoca do juiz Sergio Moro e estragou o show de prisões da Operação Lava-Jato

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O Supremo Tribunal Federal botou areia na paçoca do juiz Sergio Moro e estragou o show de prisões da Operação Lava-Jato. O STF fez exatamente o que brasileiros de bom senso e juristas isentos esperavam que fizesse: justiça. A decisão, contudo, embora reflita o esforço do Supremo em restaurar o estado de direito, foi recebida como um chute no saco pela grande mídia, em especial pela revista "Veja", que vinha tendo orgasmos com as prisões. E vai obrigar o magistrado condutor das investigações a repensar seus métodos para arrancar confissões, métodos que lembram os processos medievais, conforme observou o próprio relator da ação, ministro Teori Zavascki.

O STF, na verdade, já estava de olho no comportamento do juiz Moro que, deslumbrado com a fama proporcionada pela satisfação da mídia – a exemplo do que aconteceu com o ministro Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão – imaginou que enfeixava nas mãos o poder absoluto e o usava sem observar os limites impostos pela lei. O mais recente abuso foi a prisão injustificada da cunhada do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari. A partir de agora ele certamente vai pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão, pois já sabe que existem poderes acima dele que podem reformá-la, com evidentes desgastes para a sua autoridade. Afinal, o prêmio que a Globo lhe concedeu não o deixou imune.

O fato é que o juiz Moro precisará imprimir um novo rumo, mais imparcial, às investigações da Operação Lava-Jato para recuperar a credibilidade que vinha perdendo com decisões visivelmente políticas. Enquanto bastava que um dos criminosos confessos citasse, nas delações premiadas, um nome petista para colocá-lo no centro do furacão, o mesmo não acontecia quando o nome citado tinha ligações com os tucanos. Eles se fingiram de cegos e surdos, por exemplo, quando o policial federal conhecido como "Careca" informou que havia entregue R$ 1 milhão de propina ao senador tucano Antonio Anastasia, que permanece incólume, esquecido inclusive da mídia. E "Careca" simplesmente sumiu sem deixar rastros.

A blindagem que se fez dos tucanos permite, também, que o senador Aécio Neves, citado por Alberto Youssef na lista de Furnas, se mantenha ausente das investigações e do noticiário. Ele só aparece para fazer críticas ferozes ao governo da presidenta Dilma Roussef, usando todos os artifícios possíveis e imagináveis para arrancá-la do Palácio do Planalto. Sempre muito falante e sugerindo indignação, ele não perde oportunidade para bater no governo petista. No entanto, finge-se de morto quando o assunto é a truculência do governador tucano Beto Richa, do Paraná, que colocou a policia contra os professores, deixando mais de 200 feridos. Também estão em silêncio, fazendo-se de cegos, surdos e mudos, entre outros, os senadores tucanos Aloysio Nunes e Álvaro Dias, este do Paraná, os quais fingem não conhecer Richa.

Percebe-se por outro lado que, apesar do esforço da mídia para, usando fatos como a Operação Lava-Jato, desestabilizar o governo Dilma e criminalizar o PT, com o objetivo de inviabilizar a candidatura de Lula em 2018, a população vai gradativamente libertando-se da influência do noticiário tendencioso e descortinando a realidade da situação do país, enxergando com maior nitidez a verdadeira face dos que combatem a Presidenta e identificando as suas intenções. O ódio disseminado e alimentado nas páginas impressas e nas redes sociais vai perdendo força, até porque o brasileiro tem índole pacífica, e o país começa a retomar sua normalidade. Óbviamente alguém vai tentar manter acesa a chama do impeachment, mas a esta altura ela tenderá sempre a apagar-se.

De qualquer modo, mesmo com oposicionistas doentes como o tucano Carlos Sampaio, que não faz outra coisa no Congresso a não ser cascavilhar algo que possa usar contra a Presidenta, o que deverá consumir todo o seu mandato de quatro anos, a economia está se reajustando e a Petrobrás se recuperando do massacre de que foi vítima, com suas ações já subindo nas bolsas. As forças políticas começam a reacomodar-se, com a fusão de vários partidos, e o cenário deverá em breve assumir nova cara, inclusive com o governo refazendo a sua base de sustentação no Parlamento Nacional. O segundo semestre promete um novo panorama, apesar do permanente pessimismo dos profetas do caos. Mas não custa lembrar o saudoso Ibrahim Sued, segundo o qual "a caravana vai passando e os cães continuarão ladrando".

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