A conta da inflação, cruel para os mais pobres

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O INPC (índice nacional de preços ao consumidor) é que mais reflete a inflação dos pobres e da classe média assalariada. Pois bem, em setembro o INPC teve a maior alta para o mês desde 1995, quando foi de 1,17%. No ano, o INPC acumula alta de 2,04% e, nos últimos 12 meses, 3,89%. 

Somente os preços dos produtos alimentícios (arroz e óleo em destaque) aumentaram 2,63% em setembro/2020, e no mês anterior já tinham subido 0,80%.

O INPC é calculado com base no orçamento médio das famílias com renda de um a cinco salários mínimos, em dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. 

Isso mostra que os mais pobres estão pagando a conta da incompetência de Bolsonaro e seus ministros. O governo está esvaziando a CONAB, Companhia Nacional de Armazéns e Abastecimento, cujos estoques reguladores são essenciais para conter altas especulativas ou sazonais dos principais alimentos usados pelos brasileiros em sua alimentação. Os estoques estão baixos e o governo fala em desativar e vender armazéns em algumas regiões.

O governo federal, para nossa indignação, não estabeleceu cotas máximas para exportação, omitindo-se de sua obrigação de preservar o mercado interno de arroz, feijão e soja, além da carne. Com isso, o produtor fica estimulado a exportar, pois o preço em dólar se mantém, mas o dólar subiu de R$ 4,10 para R$ 5,62, aumento de 37%. O produtor escolhe o mercado externo e oferece o arroz no mercado interno pelo equivalente em dólar. O varejista não consegue repassar todo o aumento e espreme sua margem para seguir vendendo. E o povo com salário congelado acaba gastando mais ou comendo menos.

O dólar nesse patamar vai pressionar os preços de todos os produtos. Só não foram totalmente repassados porque os salários estão arrochados e o desemprego está alto. O governo, ao não usar as reservas deixadas por Lula e Dilma (mais de 350 bilhões de dólares) deixa o câmbio flutuar para cima, para alegria dos grandes agricultores exportadores. O povo paga a conta desse misto de incompetência e irresponsabilidade. 

O arroz, o feijão, o óleo e a carne chegam mais caros, o gás está caríssimo, a tarifa de ônibus nas alturas e Guedes e Bolsonaro destruindo a segurança alimentar que foi conquistada nos governos do PT, quando a ONU declarou o Brasil fora do mapa da fome.

Como dizemos sempre, o voto não tem preço, tem consequência. E a pior delas é a fome que castiga os mais pobres e a carestia, que sacrifica todos os trabalhadores.     

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