A desnacionalização é o objetivo

O que está em jogo é nada menos que a soberania do Brasil sobre a sua riqueza energética. Depois de ser escorraçado de Nova Iorque, Bolsonaro inventou uma visita oficial, rechaçada por sete de 14 vereadores e desmentida pelo prefeito de Dallas, Mike Rawlings. Mas houve outra visita. Essa ao presidente da ExxonMobil, Darren Woods

A desnacionalização é o objetivo
A desnacionalização é o objetivo

Bolsonaro está sozinho, mas não ausente da agenda de destruição do Brasil. O desânimo de várias entidades que se comprometeram com o governo de estabelecer a aplicação de alguma política desenvolvimentista se reflete na carta copiada e demagógica de Bolsonaro, que acredita ser capaz de mobilizar a classe trabalhadora e os estudantes do País, que estão indignados com a condução do Brasil. O problema da política isolacionista de Bolsonaro não é o seu próprio isolamento que, de resto, não faz a menor diferença, mas o do País. Para o atual governo, não faz a menor diferença que se venda oito das 15 refinarias brasileiras, construídas com o suor e o sangue dos brasileiros. A cadeia produtiva da refinaria é extensa e complexa, vai desde o combustível obtido nas bombas aos vários plásticos, abrasivos e adesivos obtidos do processo de refinamento que, forçosamente, criará necessidade de mão de obra, que passará a consumir e forçará o aumento da produção.

O governo Bolsonaro foi obtido por meio de uma eleição aparentemente fraudulenta, construídas sob mentiras e ofensas às demais candidaturas. Ele foi eleito para desnacionalizar todas as reservas energéticas brasileiras e as empresas nacionais que transformam, com muita maestria, essas energias. De qualquer forma, ele está no poder, e o País está sendo entregue aos EUA, sem que a população saiba o que isso significa. O que está em jogo é nada menos que a soberania do Brasil sobre a sua riqueza energética. Depois de ser escorraçado de Nova Iorque, Bolsonaro inventou uma visita oficial, rechaçada por sete de 14 vereadores e desmentida pelo prefeito de Dallas, Mike Rawlings. Mas houve outra visita. Essa ao presidente da ExxonMobil, Darren Woods.

A política de Guedes, continuidade da de Temer, venda de ativos públicos, com outros nomes como, abertura de capitais, busca de parcerias, desinvestimentos, privatizações, incorporações, fusões, cisões, liquidações, concessões, planos de demissão voluntária (PDVs), levou 52% dos projetos a cabo, mobilizando R$ 144,3 bilhões, ou 52% do valor estimado. Levando em consideração que a proposta era a de levantar R$ 287,5 bilhões, em meio a todo um processo de licitação, não houve vantagem para a sociedade. A visita a Woods não é gratuita. A Petrobras, a grande petroleira brasileira está sob risco de ser privatizada, a troco de nada, para petroleiras privadas e estatais. Ou seja, o Brasil está se permitindo vender uma grande empresa, que será utilizada por uma empresa estatal de outro país. O brasileiro não reage à altura, como convém a um povo consciente da sua história e do seu potencial para construir muito mais.

A sociedade deve reagir e questionar esse governo passageiro sobre a venda das estatais brasileiras. Segundo a Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), em 2018, o lucro dessas empresas cresceu, desde 2017, 132%, chegando ao valor de R$ 74,3 bilhões. O desempenho rendeu aos rentistas, que não pagam IRPF, R$ 7,7 bilhões, quase 40% a mais que no ano anterior. As empresas mais expressivas foram Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras e Caixa Econômica Federal. São instituições fundamentais para o desenvolvimento do Brasil, que se pretende vender a qualquer preço. Os argumentos para a liquidação do patrimônio brasileiro são, quando não um escárnio, os mais esfarrapados, dignos de gente que acredita na credulidade e ignorância das pessoas quando a riqueza da qual ela é dona.

Bolsonaro dá continuidade e aprofunda o Decreto nº 9.355/2018, de Temer. Para entregar as distribuidoras de energia da Eletrobras, ele e Paulo Guedes não se envergonham de admitir que se trata da necessidade de aumentar a distribuição de dividendos para acionistas privados que, diga-se de passagem, são minoria. O governo age em favor de interesses privados e estranhos aos da nação, privilegiando-os. Isso é digno de um governo golpista, que não tem ideia do quanto nossas empresas estatais são bem valorizadas no mundo. Já para vender a Petrobras, segundo o mesmo decreto, o argumento é o de que grandes empresas estatais estariam excessivamente expostas à corrupção. Para solucionar um problema, o governo Bolsonaro joga o bebê fora, junto com a água suja. É um pensamento covarde, porém, sendo ou não, o governo está transferindo o patrimônio brasileiro para o desenvolvimento de outros povos. Estamos tratando da soberania nacional, que deve ser defendida por todos os brasileiros. Às ruas, o patrimônio é de toda a nação.

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