A eleição do contra

Há que se distinguir duas importantes questões: a liberdade de LULA: a outra, a campanha eleitoral deste ano. Atrelar as duas foi um cálculo que pode dificultar o crescimento eleitoral de Haddad nesse meio tempo de propaganda que ainda resta. A favor do candidato petista, pesam a pequena rejeição e o patrocínio de LULA, com o seu imenso prestígio popular

A eleição do contra
A eleição do contra

Dois fatos novos parecem determinar a dinâmica das eleições presidenciais, daqui para frente. O impacto da agressão sofrida pelo deputado Jair Bolsonaro (PLS) sobre o eleitorado e o registro da candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência da  República. Faltando pouco mais de 15 dias para as eleições de primeiro turno, havia uma expectativa da parte dos bolsonaristas de que o incidente  poderia alavancar a intenção de voto, ao provocar uma comoção popular, no   candidato   do PSL. Não foi o que  aconteceu. 

Houve uma alteração de 2 pontos para cima, no ranking eleitoral. É preciso atentar para o fato de que Bolsonaro é o campeão de rejeição segundo as pesquisas eleitorais e que na simulação do segundo turno, não ganha para nenhum dos outros candidatos. Como se especulava, antes do evento criminoso (ainda não de todo esclarecido), é como se o teto eleitoral do candidato já tivesse sido alcançado, mesmo com a ajuda da mídia "desinteressada". O deputado pode ir para o segundo turno, mas perderá o seu favoritismo, sobretudo em razão das alianças que serão feitas contra si.

O outro fato relevante é a candidatura de Fernando Haddad. Aqui é preciso reconhecer que houve um apreciável atraso no lançamento dessa candidatura. Um tempo precioso foi perdido, enquanto se discutia se havia ou não plano B para as eleições presidenciais por parte do Partidos dos Trabalhadores.

Há que se distinguir duas importantes questões: a liberdade de LULA: a outra, a campanha eleitoral deste ano. Atrelar as duas foi um cálculo que pode dificultar o crescimento eleitoral de Haddad nesse meio tempo de propaganda que ainda resta. A favor do candidato petista, pesam a pequena rejeição e o patrocínio de LULA, com o seu imenso prestígio popular. De toda maneira, o próprio LULA vem recomendando que se faça campanha nas redes sociais, em razão do cerco que os meios de comunicação vêm fazendo em relação a exposição pública do ex-prefeito de São Paulo.

Questão relevante é  o início da discussão sobre as possíveis alianças para aqueles que poderão estar no segundo turno das eleições presidenciais. Há uma pergunta que não quer calar: para onde vai o PSDB, se seu candidato não chegar lá, como parece.  É razoável supor que o PDT, a REDE, os Partidos Comunistas, o PSOL, o PSB caminhem juntos contra Bolsonaro.

Mas há um extenso eleitorado de direita e centro-direita disponível para ser disputado pelos partidos que chegarem ao fim do pleito eleitoral. As agremiações partidárias e seus candidatos já deviam estar se preparando para esse debate. Não há mais tempo a perder nessas eleições, caracterizadas pelas chamadas “fake news”. É preciso recuperar o tempo perdido junto aos eleitores e rediscutir a  estratégia eleitoral a ser seguida depois do dia 7 de outubro.

Se o fato do candidato favorito se encontrar fora - ocasionalmente - da propaganda e possuir uma grande rejeição (o que em tese trava seu potencial de crescimento) não for devidamente aproveitado pelos demais, há o risco dele ganhar as eleições pela incompetência e a inércia de seus adversários em buscar, desde já, um acordo que permita ao seu competidor, no segundo turno, derrotá-lo. 

Os partidos e seus candidatos precisam pensar estrategicamente o processo eleitoral, e não se fixar num planejamento de curto prazo. As eleições em dois turnos são praticamente duas eleições, com alianças e estratégias de campanha diferentes. A 15 dias do fim da campanha, é necessário olhar para diante e se preparar para o que vier a acontecer.

Outro ponto que mereceria uma análise mais detida é a composição do Congresso Nacional. Para quem ganhar será indispensável contar com o apoio de uma maioria estável para evitar as crises de governabilidade que colocam em risco o processo democrático.

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