Sábado à noite, procurei algum boteco para assistir o jogo da Seleção brasileira contra a Argentina de Messi. Sou fruto daquela geração que ainda criança saiu às ruas para brindar o tetra e, quando adolescende, virou altas madrugadas esperando o tão esperado Penta.
Com uma nostalgia no peito de quem já passou dos 30 e acompanhou ao vivo os siricuticos do Galvão e os belos tempos do fervo do centro, sentei-me naquela birosca no baixo augusta, pedi uma cerveja e uma porção de tremoço.
No local, mesas de jovens alegres com seus flertes e causos. Dois telões transmitiam o jogo para a euforia da galera, mas poucos, poucos felinos pingados, prestavam atenção na partida.
Não estou falando de jovens politizados que estavam promovendo um boicote à partida. Estou falando de mileniuns que cresceram ouvindo sobre as maravilhas do Ronaldo em campo, mas nunca presenciaram tal fato.
Estou falando de jovens que, sem sombra de dúvidas, estão mais preocupados se irão arrumar um emprego logo ou se o auxílio emergencial irá ajudar nas contas. Sem sombras de dúvidas, problemas que não passam pela cabeça do Neymar, homem de quase 30 anos que a imprensa comercial insiste em chamar de “garoto”.
Lá pelas tantas, uma mulher eufórica, supostamente gringa (seu sotaque espanhol era sofrível), começa a berrar “Argentinaaaaa, chupaaaa Brasilllll, vai Messi seu gato, chupaaaaaaaa”.
Sem dúvidas ela queria chamar atenção, mas não conseguiu. Ninguém se importou com a infiltrada gringa.
Fim da partida, fecha a conta. Obrigada.
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