A grande mídia terraplanista não cabe na democracia

"A grande mídia atua em sua cobertura jornalística e editorial com traços ideológicos liberais na economia, defendendo o capital privado"

www.brasil247.com -
(Foto: Reprodução)


No Brasil, desde o início do século XX a formação daquilo que chamamos “grande mídia” ou “mídia corporativa” se desenhou sob o oligopólio. Entre todos, a Rede Globo tornou-se o maior e mais bem sucedido projeto de mídia eletrônica da história do país.

Apoiadora do golpe de 1964 e da ditadura militar, por décadas contou com a maior participação na audiência, recebeu a maior parte da verba publicitária destinada ao setor e estruturou a maior rede de distribuição de sinais. Contou com apoio do grupo Time-Life, dos Estados Unidos, que ofereceu milhões de dólares em investimentos para a estruturação da empresa, apesar da legislação brasileira proibir esta prática.

Grosso modo, a grande mídia atua em sua cobertura jornalística e editorial com traços ideológicos liberais na economia, conservadores nos costumes, defendendo o capital privado (estrangeiro) em detrimento do investimento público, com traços anticomunistas/antiesquerdistas/antipopular. Tais características refletem um apoio tácito aos Estados Unidos, sempre retratado como ideal de sociedade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esses elementos compõem e ajudam a entender sua atuação nos últimos anos: a oposição aos governos do PT, o apoio ao golpe de 2016, a adesão inconteste à operação Lava Jato, tornando herói nacional o juiz ladrão, Sérgio Moro, que mandou prender Lula, o favorito para as eleições presidenciais de 2018. O apoio velado à vitória de Jair Bolsonaro e o entusiasmo com todas as reformas desencadeadas pelo atual governo neoliberal e ilegítimo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Hoje sabemos um pouco sobre a participação dos Estados Unidos na formulação da Operação Lava Jato, assim como a respeito da atuação da extrema-direita trumpista para a vitória de Jair Bolsonaro. Essa ação de um país estrangeiro sobre o outro é aquilo que os velhos comunistas definiram como “imperialismo”.

No Brasil, as posições da grande mídia são alinhadas aos interesses do imperialismo. Aí está um enorme problema que o próximo presidente terá de enfrentar se quiser, de fato, consolidar a democracia em nosso país. Por isso a grande imprensa que justificou a vitória da Bolsonaro adere à candidatura de Sérgio Moro para presidente da República, a despeito do STF tê-lo considerado um juiz incompetente, suspeito e parcial que agiu aparelhando a justiça para fins políticos. Um verdadeiro escândalo em qualquer país civilizado é tratado como normal pela imprensa brasileira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esta é a mídia que defende o “desenvolvimento terraplanista” para o Brasil a partir de privatizações, do “teto de gastos” que congelou o investimento público, da destruição dos direitos dos trabalhadores, do enfraquecimento da seguridade social, do desmonste da Petrobrás e a consequente política abusiva de preços dos combustíveis. 

Há quem goste de elogiar o papel exercido durante a pandemia pelo “consórcio dos veículos da imprensa” no combate ao negacionismo de Bolsonaro, mas é importante dizer que não fizeram mais do que a obrigação. Principalmente depois de terem normalizado a ascensão de um  adorador da ditadura e de torturadores à presidência da República. 

Convém ressaltar que, bem ou mal, Bolsonaro enfrentou parte da grande mídia. Decretou guerra contra a Rede Globo, mudou o regime de distribuição de verbas publicitárias e favoreceu os veículos de comunicação alinhados ao seu governo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Claro que é deplorável um presidente da República agir desse modo, mas é fundamental que aprendamos com isso. O PT passou 13 anos no poder e jamais conseguiu constituir uma rádio sequer que fale em nome e para os trabalhadores. As pessoas viajam pelas rodovias ouvindo a negacionista “jovem pan” metralhar os “petralhas corruptos”. Um genuíno processo de imbecialização dos sujeitos praticado diuturnamente pela mídia corporativa.

O editorial de O Globo, passando sermão nos governos Lula sobre políticas econômicas, esconde do leitor (e potencial eleitor) a situação de miséria, fome e desemprego que se encontra a população do país. O jornal pratica o “terraplanismo” econômico, político e social ao negar o óbvio ululante que nos mostra o neoliberalismo e as privatizações como causas das nossas principais chagas. O alinhamento da grande mídia, em especial da Rede Globo, aos interesses dos Estados Unidos serve para impedir ou atrapalhar o desenvolvimento e a soberania nacional.

Entre tantos desafios de um terceiro governo Lula, a democratização dos meios de comunicação está à hora do dia. Não adianta conciliar com o centro e acenar à direita se a mídia corporativa seguir tendo o poder concentrado em quatro ou cinco famílias que definem como as pessoas receberão as informações relevantes. É preciso abrir o debate nos mais amplos setores e espaços da sociedade para que seja tratado como um tema de interesse público.

Não se pode cair no erro de fechar rádios comunitárias e fortalecer com verbas públicas os grandes grupos privados. É preciso incentivar o uso não comercial dos meios de comunicação por universidades, sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos etc. Democratizar a mídia é um passo fundamental para democratizar o Brasil. Este é o desafio da nossa geração.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email