A incubadora de novos deputados e a agenda neoliberal

O RenovaBR é uma organização da qual Tabata Amaral (PDT) e mais oito deputados federais fazem parte. Funciona como um partido clandestino, com formação política e financiamento próprio, patrocinando, treinando e controlando o viés político e o mandato de seus patrocinados. Trata-se de uma forma disfarçada de financiamento empresarial de campanha

(Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
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Uma das coisas mais importantes na política é a transparência. Não é possível haver democracia sem transparência, pois a falta dela induz os cidadãos a fazerem escolhas diante de interesses que não são expostos com clareza.

A democracia é corrompida quando grupos e interesses ocultos se organizam como partidos clandestinos financiados por empresários da chamada "velha política", elegendo deputados novatos que fingem representar uma “nova política”, que seria ética e isenta de ideologia, mas atendem diretamente aos interesses de seus patrocinadores. Os empresários que os patrocinam são os mesmos que financiaram e financiam os antigos deputados. Esse patrocínio tem como moeda de troca os seus mandatos. 

Desse modo, um cargo, que deveria ser público, torna-se privado, pertencente a um grupo partidário clandestino submetido a consultas e autorizações dos empresários patrocinadores, que utilizam intermediários como espécie de tutores para dar suas orientações do financiador aos deputados eleitos por este esquema. 

O RenovaBR é um exemplo disso. Essa é uma organização da qual Tabata Amaral (PDT) e mais oito deputados federais fazem parte. Funciona como um partido clandestino, com formação política e financiamento próprio, patrocinando, treinando e controlando o viés político e o mandato de seus patrocinados.

Trata-se de uma forma disfarçada de financiamento empresarial de campanha, algo proibido no Brasil por decisão do STF desde setembro de 2015. Não é apenas financiamento individual de pessoa física, pois os 15 milhões de reais investidos por corporações empresariais no RenovaBR determinam o que cada deputado deve fazer, o que aprovar, o que rejeitar no Congresso Nacional. 

No RenovaBR, a maioria dos deputados está em partidos abertamente de direita, como o DEM e o Novo, de Amoedo, além da REDE, que apareceu com o discurso da neutralidade de Marina Silva contra a polarização direita/esquerda. Há também partido de centro esquerda, como o PDT, que esteve dividido no golpe de 2016, além do PSB, que teve ministério no governo golpista Temer após apoiar o golpe. No RenovaBR, tem até um deputado do partido de Jair Bolsonaro, o PSL, Luiz Lima.

Por trás do discurso da ética e, em alguns casos, da neutralidade ideológica desse grupo de deputados que fingem representar a tal “nova política”, na verdade, há uma ideologia neoliberal do empresariado que elegeu Bolsonaro no 2º turno, com o objetivo de atacar a gratuidade das universidades públicas, a aposentadoria dos trabalhadores e a estabilidade dos servidores públicos, dentro de uma agenda ampla de eliminação de direitos sociais. 

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