A lição de Krugman e o uivo dos nossos banqueiros

"Vivemos num país onde o lucro dos quatro maiores bancos cresceu 46% entre o primeiro semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2015. Neste período, a taxa de juros, que era de 10,4%, passou a 14,5%, seguindo uma alta que quase dobrou o custo do dinheiro em relação a março de 2013", diz o colunista Paulo Moreira Leite, ao criticar a política monetária conduzida por Alexandre Tombini, no Banco Central; enquanto isso, nos Estados Unidos, o Nobel de Economia Paul Krugman aponta a bronca dos banqueiros com a taxa de juros de 0,25% ao ano; por aqui, diz ele, "apesar dos lucros históricos de 2015, já fazem campanha preventiva contra qualquer redução na política de juros"

"Vivemos num país onde o lucro dos quatro maiores bancos cresceu 46% entre o primeiro semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2015. Neste período, a taxa de juros, que era de 10,4%, passou a 14,5%, seguindo uma alta que quase dobrou o custo do dinheiro em relação a março de 2013", diz o colunista Paulo Moreira Leite, ao criticar a política monetária conduzida por Alexandre Tombini, no Banco Central; enquanto isso, nos Estados Unidos, o Nobel de Economia Paul Krugman aponta a bronca dos banqueiros com a taxa de juros de 0,25% ao ano; por aqui, diz ele, "apesar dos lucros históricos de 2015, já fazem campanha preventiva contra qualquer redução na política de juros"
"Vivemos num país onde o lucro dos quatro maiores bancos cresceu 46% entre o primeiro semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2015. Neste período, a taxa de juros, que era de 10,4%, passou a 14,5%, seguindo uma alta que quase dobrou o custo do dinheiro em relação a março de 2013", diz o colunista Paulo Moreira Leite, ao criticar a política monetária conduzida por Alexandre Tombini, no Banco Central; enquanto isso, nos Estados Unidos, o Nobel de Economia Paul Krugman aponta a bronca dos banqueiros com a taxa de juros de 0,25% ao ano; por aqui, diz ele, "apesar dos lucros históricos de 2015, já fazem campanha preventiva contra qualquer redução na política de juros" (Foto: Paulo Moreira Leite)
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Vivemos num país onde o lucro dos quatro maiores bancos cresceu 46% entre o primeiro semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2015.

Neste período, a taxa de juros, que era de 10,4%, passou a 14,5%, seguindo uma alta que quase dobrou o custo do dinheiro  em relação a março de 2013.

A economia brasileira, em compensação, caiu 0,7% negativos no primeiro trimestre de 2015 e 1,9% negativos no segundo.

Quem já se conformou com a taxa de juros do Banco Central  e até aceita com naturalidade a ideia de que eles não devem cair tão cedo, deveria ler "A bronca dos banqueiros," artigo de Paul Krugman no Globo de hoje. (http://oglobo.globo.com/opiniao/a-bronca-dos-banqueiros-17565255).

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O Premio Nobel de Economia de 2002 analisa a decepção dos banqueiros dos Estados Unidos depois que, na semana passada, o FED decidiu manter a taxa básica de juros em 0,25% ao ano, patamar que se encontra desde dezembro de 2008 – ou seja, há sete anos – sem interrupção.

A decisão marcou uma derrota do setor financeiro que, escondendo-se  atrás do eufemismo "normalização", que no fundo sugere que juro natural é juro alto, pressionava para elevar o patamar histórico.

Num bom aviso aos navegantes, Krugman recorda que o desempenho da inflação norte americana contraria uma das supostas verdades estabelecidas do pensamento econômico há mais de um século – aquela que diz que juros baixos estimulam a inflação. Medida pelo patamar mais aceito nos EUA, que exclui preços voláteis por natureza – como alimento e energia – a inflação encontra-se abaixo de 2%.  

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Com base no primeiro trimestre, o crescimento de 2015 ficou em 3,7%.

Vivendo um momento bem diferente do Brasil, os banqueiros dos EUA não podem pedir a alta dos juros pelos argumentos clássicos, é obvio.

Mesmo assim, não deixam de pressionar o Federal Reserve para fazer mudanças, multiplicando ares decepcionados quando elas não ocorrem. Por que? Krugman explica:  

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"Muitas pessoas têm sido enganadas por tentar decifrar se dinheiro fácil é bom ou ruim para as pessoas ricas em geral. Esta é, na verdade, uma questão complexa. O que é claro, porém, é que taxas de juros baixas são ruins para os banqueiros."

Krugman continua, explicando quem ganha e quem perde com juros baixos no mercado de crédito: "os  bancos obtêm seus lucros recebendo depósitos e emprestando os fundos a uma taxa de juros mais alta. E esse negócio fica mais apertado num ambiente de baixas taxas de juros: os juros que os bancos podem impor nos empréstimos são puxados para baixo, mas as taxas sobre depósitos só podem ir tão baixo. A margem líquida de juros — a diferença entre a taxa de juros que os bancos cobram nos empréstimos e a taxa que eles pagam nos depósitos — caiu vertiginosamente nos últimos cinco anos. "

Prevendo novas pressões no futuro, Krugman adverte:  "o uivo dos banqueiros não tem nada a ver com o interesse público."

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Este é ponto que interessa debater aqui – também. Apesar dos juros a 14,5%, não é só o desemprego que sobe. A renda também cai.

Como disse Marieta Severo, “estamos numa crise mas vamos sair dela. Eu sou sempre otimista.  O país caminhou muito. Pra mim, tem uma coisa muito importante: a inclusão social, a luta contra a desigualdade. A gente teve muito isso nos últimos anos.”

Mas basta ler os jornais com atenção para ouvir, desde já, o uivo dos banqueiros de que fala Krugman – apesar dos lucros históricos de 2015, já fazem campanha preventiva contra qualquer redução na política de juros.

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