A nova força da democracia: pela vida e pela paz, ditadura nunca mais!

A democracia está desarmada e, de fato, Bolsonaro parece apostar no caos derivado da combinação de seu fracasso como governante e da ambição de poder, de destruição e de crimes contra a vida que geram o caldo de cultura para ampliar a ditadura, que já esta embrionariamente presente nas ações desmedidas e na ação provocativa bélica e antipatriótica

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*Por Pedro Cláudio Cunca Bocayuva (NEPP-DH/UFRJ) e Ricardo H. Salles (História-UNIRIO)

A conjuntura brasileira varia todo dia com enorme virulência. Os acontecimentos da semana passada, especialmente as manifestações de rua, têm um balanço geral que foi positivo. Mas por força do que pode vir ou pela questão ideológica, nesta semana devemos seguir a posição de cautela. Sair na rua, simbolicamente, é diferente de sair para o confronto. Ter mostrado disposição de luta e ter mostrado que eles são minoria foi bom na maioria dos lugares, pela força renovada da defesa da democracia nas suas mais diversas manifestações e declarações antifascistas, com destaque para o antirracismo . 

Há uma discussão sobre se as manifestações antibolsonaristas e pró-democracia de domingo passado aconteceram em momento oportuno. A resposta negativa levanta razões sanitárias e razões políticas. Quanto a essas últimas, Luiz Eduardo Soares publicou um pungente apelo no sentido que essas manifestações não são proveitosas agora e que o governo pode delas se aproveitar para dar um golpe de Estado. Existe uma tendência natural em concordar com a ideia de que não é hora de ir para a rua. Mas achamos que o tom do texto do Luiz Eduardo corre o risco de ser desmobilizante e vemos a necessidade de buscar mais elementos para lidar com o quadro. Além disso, diferentemente do que ele coloca, parte expressiva da grande mídia (Globo e Folha de São Paulo), ao menos nesse momento, mostrou-se simpática às manifestações (sempre pode mudar, claro). Isso inibe a repercussão de eventuais provocações, por enquanto.

Em relação ao balanço de domingo passado, se foi positivo ou negativo, achamos que foi positivo. Repercutiu bem. Animou o lado dos que defendem a democracia, querem apear Bolsonaro do poder e surpreendeu as milícias fascistas e o governo. Domingo que vem será um teste para saber se os bolsonazis – não há outro nome para essas milícias de marginais - terão apelo para levar massas, não apenas sua capangada, para as ruas diante dos enfrentamentos que ocorrerão. 

Agora que a marca unificadora da defesa da democracia pegou, no belo brado de novos atores, eles querem desviar e criminalizar o nome e a luta atacando a nossa convicção ANTIFASCISTA. Achamos que, no domingo que vem, a direita está convocando para "dar porrada". É fato que eles têm armas, recursos, disposição e têm treinado para isso. Desejam o confronto. Nós, as forças democráticas, ao contrário, não precisamos provar nada. Já combatemos a ditadura uma vez e estamos fazendo de novo. O povo pobre que sofre o massacre sabe reagir e quebrar o pau se necessário. Mas nos interessa defender a vida, ampliar a unidade, criar condições para organizar nossas atividades e lutas, para garantir e derrotar, no tempo certo, nas ruas e nas urnas, a direita. Usando os dois turnos para lidar com a unidade na diversidade. Ganhando todas as cidades para bons governos.

Nunca fomos pior governados. Não basta ser pastor, juiz ou militar, eles governam tão mal ou tão criminosa, mafiosa e milicianamente quanto Sérgio Cabral quando governou o estado do Rio de Janeiro. Face ao desastre econômico, institucional, ambiental, moral e na política internacional, podemos evitar o confronto nas manifestações, sustentar as formas simbólicas no médio prazo. Mas não podemos dar um cheque em branco completo para uma saída que volte a conciliar com o golpismo. Não temos uma função de contenção da explosividade, mas sim de canalização para os meios e formas legítimas e adequadas para a construção democrática do processo político e do modo de governar.

O que fazer considerando que nossa prioridade é contra a pandemia e contra o genocídio? As forças da unidade democrática devem canalizar energia para a solidariedade real, gerando brigadas pela vida, torcidas pela vida, lembrando e honrando a memória dos nomes das vítimas do nosso genocídio, respeitando o luto de tantas famílias que sofrem com a desmedida e o desgoverno em todas as áreas. Sair de casa hoje, somente respeitando as medidas de distanciamento e isolamento. Ou seja, somente para proteger, ajudar e construir a defesa da vida e da democracia. Para derrotar a manipulação que usa a religião, por parte das Igrejas que, nos últimos tempos, foram afetadas demais pelo gosto do poder, pela exploração da fé para criar máquinas caras, desviando-se de sua missão de apoio ao próximo. 

Nesta chave combater o bolsonarismo é defender as medidas econômicas adequadas para enfrentar o ciclo da pandemia do Covid-19, via distribuição direta de renda e do apoio à medidas favoráveis ao emprego e às pequenas e médias empresas, aos trabalhadores autônomos e aos informais. A resposta antifascista, até agora, foi dada, com uma enorme variação de recortes. O momento é de deixar os fascistas virem e exporem seu animus perverso, que tem de cair no vazio, que tem de ser lançado no lixo da história. O momento é para a defesa contra os ataques e ações abusivas. Trabalhar sem cair na boca do lobo, defender as ações simbólicas e bem coordenadas, como as que se fizeram pela saúde e contra a violência racista. Dizer para as torcidas que não tardará a hora de sair para as ruas ao lado do conjunto da sociedade, num grande movimento cívico e, para garantir neste ano o direito de escolher os governos e representante das cidades. Desenvolver atividades comunitárias, bem coordenadas, de solidariedade, bairro por bairro, voltadas para ajudar aos mais atingidos pela crise. A rede antifascista ensina liberdade, igualdade e solidariedade. 

O povo brasileiro mostrará como deviam agir os bons governantes. O que é espontâneo, o que pode inovar, para somar novas forças sempre se corre um risco maior, mas a cautela é parte da sabedoria dos povos. A partir de agora eles estão sedentos de sangue, de gosto pela morte e de fúria. Não devemos ceder para a barbárie. Não devemos nos oferecer ao poder da violência e da produção do medo. Precisamos trabalhar na direção da acumulação de forças. Precisamos nos manter [email protected] para barrarmos o banho de sangue, através do crescimento do potencial de resistência. 

Quem não tem armas tem inteligência. As forças da resistência democrática estão ganhando no terreno moral, no resgate e afirmação de valores com a multiplicação das vozes e das torcidas unidas na causa comum de rimar democracia com soberania. Devemos lidar com este ímpeto que cresce sem ceder à lógica provocadora. 

A democracia está desarmada e, de fato, Bolsonaro parece apostar no caos derivado da combinação de seu fracasso como governante e da ambição de poder, de destruição e de crimes contra a vida que geram o caldo de cultura para ampliar a ditadura, que já esta embrionariamente presente nas ações desmedidas e na ação provocativa bélica e antipatriótica. 

A tarefa agora é espalhar a cultura democrática e a simbologia da unidade democrática e antifascista, contra o racismo, em defesa da diversidade e da cidadania. Com base na Constituição e no pacto pela vida. Nosso objetivo é caminhar para que o SUS e a distribuição de renda preparem o país para governos capazes de acompanhar a virada na direção do bem-estar coletivo e da justiça social e ambiental.

Domingo que vem será um teste para saber se os bolsonazis terão apelo para levar massas, não apenas milícias, para as ruas diante dos enfrentamentos que ocorrerão. Não cremos que as manifestações contra o golpe e pela democracia venham a ser massivas, seja por conta da pandemia, seja por conta do receio do enfrentamento com os bozomazis e com a polícia. Há grupos que irão para as ruas e não há nada que a esquerda organizada em partidos institucionais, os sindicatos e outras entidades tradicionais possam fazer. Se disserem pra não ir, não serão ouvidos por aqueles que já querem ir e irão de qualquer jeito Suas manifestações institucionais, entretanto, são importantes. Não devem convocar a ida às ruas, até pelas razões citadas anteriormente, mas não devem, tampouco, ser um fator desmobilizar. O governo e os militares não precisam de pretextos para dar um golpe (eles sempre podem criar um). Partidos e forças democráticas devem apoiar todas as manifestações pacíficas pela democracia e contra golpe, sempre advertindo os provocadores e culpando o governo, que não governa e só estimula o caos e o conflito, pelos confrontos que vier a provocar. 

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