A nova social-democracia

Não temeremos divergências dentro e fora do PSDB. Queremos convergências que sejam discutidas e não falsos acordos

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Por Arthur Virgílio Neto

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) vive um momento especial em sua história. Começa o procedimento de consulta aos seus filiados para indicação do seu candidato às eleições presidenciais de 2022. Estamos preparando as regras que regerão o movimento significativo e que oferecerá uma proposta de segurança, prosperidade e grandeza para este país. Esse projeto remonta a 1988, quando nasceu o PSDB. É mergulho profundo em suas origens.

Pela segunda vez, haverá de liderar o caminho da contemporaneização do Brasil, derrubando ideias retrógradas, retomando o processo de inadiáveis reformas estruturais, acelerando o ritmo das privatizações e de concessões onerosas, fortalecendo um Estado menor e infinitamente mais eficaz para cumprir, de verdade, seus deveres para com a saúde, a educação, as políticas sociais, a ciência e tecnologia, a proteção da Amazônia e a exploração, obviamente sustentável, do maior banco genético do planeta, mantendo em pé a grande floresta e intactos seus majestosos rios, livrando os índios de seus algozes atuais para torná-los parceiros dos PhDs formais. Falo de reconstrução, reestruturação, redefinição, renovação e ressignificação do partido mais criativo, criador e realizador de todo o período pós-Vargas e Juscelino Kubitscheck. Basta rememorar o Plano Real, a vitória sobre a hiperinflação, o controle da inflação, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Programa de Reestruturação dos Bancos, o PROER, que bania banqueiros corruptos e poupava correntistas e pequenos acionistas. Queremos, enfim, seguir Heródoto: pensar o passado para compreender o presente e preparar o futuro.

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Por si só, a realização das prévias representa avanço de peso para a consolidação da democracia interna. Praticaremos em casa o nosso compromisso mais firme e enternecedor com o Brasil, que é a democracia, um valor absoluto, jamais questionável, porque é irretratável e inegociável. Não temeremos divergências dentro e fora do PSDB. Queremos convergências que sejam discutidas e não falsos acordos. Seremos radicais, inteiramente radicais na defesa das liberdades, franquias cidadãs. Não toleramos e nem toleraremos a homofobia e nem preconceitos contra mulheres, negros e índios.

E sempre manteremos o ‘P’ de partido. O desgaste visível e lamentável do nosso sistema partidário não se resolverá com a simplória retirada de um ‘P’, como se fosse um drible nas mazelas de uma era e na própria democracia. Obviamente permaneceremos sempre fiéis à social-democracia, mesmo tendo ela fracassado em inúmeros países. Então, haveremos de realizar um denso Congresso, que orientará a formulação da nova social-democracia. Temos um produtivo passado e haveremos de tecer os belos fios do futuro.

Fui o primeiro a defender prévias nacionais, ainda em 2018, por entender que o PSDB e a democracia estavam em xeque. A proposta visava evitar maniqueísmos e aventuras. Não sensibilizei um partido que se estava deixando caducar, mas a semente foi plantada e as prévias agora serão realizadas.

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Durante toda a semana que passou, conversei com os outros três postulantes que se submeterão às prévias: o senador pelo Ceará, Tasso Jereissati; o governador de São Paulo, João Dória; e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Entrei na luta, estimulado pelo presidente Bruno Araújo e pelo meu sentimento de amazônida. Sobre as conversas com Bruno, Tasso, Doria e Leite, afirmo que dialoguei com homens públicos que pensam lucidamente neste país. 

E por que seria tão importante reinventar e fortalecer o PSDB? Alguns pensam que seria mais fácil criar um novo partido. Ora, repetir esse expediente seria pequeno para pessoas que pensam o Brasil com grandeza e não abrem mão de renovar e praticar a nova social-democracia. Afinal, a concepção antiga já não está apta a enfrentar o mundo sofisticadamente complexo em que vivemos. 

O PSDB é parlamentarista e sonha com a extinção desse sistema político selvagem, autoritário, incompatível com a estabilidade e o avanço civilizatório sem recuos que haveremos de obter. É hora de voltarmos a divulgar e discutir o parlamentarismo. Sem debates intensos, ele jamais será forte como meta efetiva da maioria da nação. É ideia redentora que precisa amadurecer, até virar realidade irrecorrível, nas águas mais profundas do nosso povo. Ideia essencial para o Brasil efetivamente se realizar nos planos econômico, social e político.

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Doei mais de 30 anos ao PSDB e nele permanecerei com repetida paixão. Não sei, aliás, fazer nada sem paixão!

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