A paternidade irreal do Real

Alguém precisa dizer ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (e a muita gente por aí, inclusive à apresentadora Sheherezade) que o Plano Real é fruto do governo de Itamar Franco e não do seu

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Alguém precisa dizer ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (e a muita gente por aí, inclusive à apresentadora Sheherezade) que o Plano Real é fruto do governo de Itamar Franco e não do seu.  O ex-presidente, ao que parece, de tanto afirmar  ser o pai do plano acabou acreditando na própria mentira, que espalhou durante as duas eleições que o conduziram ao Palácio do Planalto e que continua ecoando até hoje nas páginas da chamada  Grande Imprensa. Com essa atitude FHC confirma uma das mais conhecidas máximas de Confúcio, segundo a qual “uma mentira repetida mil vezes vira verdade”. 

Fernanda Henrique foi ministro da Fazenda do governo Itamar mas, sendo sociólogo e não economista, não teve nenhuma participação na elaboração do Plano Real,  fruto do esforço de uma equipe de técnicos que, obedecendo à orientação do presidente, queimaram muitos neurônios na sua confecção.  FHC só teve o trabalho de levar o documento à apreciação de Itamar  que, aprovando-o, o executou.   Afinal, todo mundo sabe que é o Presidente da República o responsável por qualquer plano econômico do seu governo, assumindo o ônus ou o bônus por seu fracasso ou sucesso. Por isso os planos levam o seu nome, como o Plano Cruzado do Sarney e  Plano Collor, entre outros.

Todo mundo sabe, também, que ministro é auxiliar e, portanto, só faz o que o presidente manda. Se o Real tivesse sido um fiasco   ninguém tem dúvidas de que o fracasso seria debitado a Itamar mas,  como deu certo,  Fernando Henrique, orientado pelos seus marqueteiros e com o apoio incondicional da Grande Midia,  creditou a si mesmo o sucesso, transformando a nova moeda no seu trunfo para ocupar duas vezes o Planalto. Ainda assim, ao transmitir o governo ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva entregou o país com inflação superior a dois dígitos.  E uma dívida externa multiplicada.

Consciente de que FHC deixou o governo em baixa com o eleitorado, sobretudo por causa da fúria privatizacionista, o candidato tucano à Presidência da República em 2010, José Serra, tratou de escondê-lo dos olhos do público durante a campanha.  Agora, porém, motivado pelas  comemorações dos 20 anos do Plano Real, o presidenciável Aécio Neves tirou o ex-presidente das sombras e o trouxe para a frente dos holofotes, apenas insinuando, sem afirmar, ser ele o pai do Real.  Preferiu, em pronunciamento, creditar o sucesso do plano ao seu partido, o PSDB.  O ex-presidente, no entanto, estimulado pela nova exposição na mídia, passou a deitar falação quase todos os dias, com críticas ao governo de Dilma Rousseff.

Fazendo coro ao senador mineiro e ao governador pernambucano Eduardo Campos, FHC  aproveita todas as oportunidades diante de uma câmera ou de um microfone para fazer severas críticas ao governo petista. E, a exemplo dos dois presidenciáveis, apenas critica, sem nenhuma proposta ou sugestão de solução para os problemas que levanta. Agora  ele  consegue  ver, da planície,  todos os problemas do país que antes não  vislumbrava do planalto. E critica até a política externa por não ter o Brasil se alinhado aos Estados Unidos na crise da Venezuela, o que certamente aconteceria se ele ainda fosse o presidente. A crítica, na verdade, desde que construtiva,  é saudável e fortalece o regime democrático, mas perde credibilidade quando sistemática e com objetivos puramente eleitoreiros. 

O fato, porém,  é que já é tempo de se por um ponto final nessa mentira sobre a paternidade do Real.  Afinal, FHC não engana mais ninguém. Depois da Internet, as “vozes roucas das ruas” não estão mais limitadas às páginas dos grandes jornais.  Agora elas chegam mais audíveis aos ouvidos de todos, através das redes sociais, e ninguém fica dependente da Grande Mídia para saber o que acontece no Brasil e no mundo. 

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