A PF na ribalta

As prisões dos executivos de grandes empresas servem para abafar as denúncias contra a atuação tendenciosa da Polícia Federal na Operação Lava Jato

As prisões dos executivos de grandes empresas servem para abafar as denúncias contra a atuação tendenciosa da Polícia Federal na Operação Lava Jato. A pirotecnia do gesto é proporcional à gravidade da suspeita: o partidarismo explícito dos delegados na campanha eleitoral sugere cumplicidade com a atuação criminosa da revista Veja às vésperas do segundo turno.

Ainda que a operação estivesse sendo organizada há tempos, seu oportunismo e sua teatralidade são inegáveis e sintomáticos. Atingir grandes empresas não garante o rigor ou a imparcialidade de qualquer procedimento jurídico. Os mandados foram expedidos pelo mesmo juiz que permitiu os vazamentos seletivos das delações dos bandidos em plena disputa presidencial. Só isso coloca toda a investigação em cheque.

Independente de culpas reais e apelos pedagógicos, as prisões parecem desnecessárias e até meio abusivas, como se fossem armadas para resultar juridicamente nulas. Lembram episódios recentes, quando irregularidades técnicas serviram para inutilizar as acusações nas instâncias superiores. Os investigadores "erram" nos detalhes e posam de inimigos do crime; os bacanas passam um aperto ligeiro e alguém depois arquiva tudo.

É tolice, portanto, fazer da Lava Jato um modelo de justiçamento dos "poderosos". Os inesgotáveis trâmites processuais do caso sequer começaram. Uma ideia do que vem pela frente pode ser obtida nos inquéritos envolvendo os mensaleiros do PSDB. Quando Joaquim Barbosa dispersou-os pelas catacumbas das varas regionais, também se falava em "passar o país a limpo".

A corrupção sempre possui diversas ramificações e desdobramentos. É fácil imaginar uma rede de contatos unindo a Petrobrás e o Palácio dos Bandeirantes, por exemplo. Mas nenhum juiz paulista ousará averiguar os contratos bilionários que essas empreiteiras mantêm com a administração tucana de São Paulo. As morosas e secretas apurações sobre a máfia dos cartéis fornecem exemplo suficiente de que o moralismo do Judiciário só desperta quando há conveniência política.

O tal doleiro bandido possui laços antigos e notórios com figuras do PSDB e do DEM, mas o vínculo, embora tenha provocado o início das apurações, foi esquecido assim que a Petrobrás surgiu na história. Por que os únicos elos investigados sobre o vasto esquema criminoso são os que envolvem o PT e seus aliados?

A tentativa do governo Dilma Rousseff de aproveitar a boa recepção da Lava Jato é compreensível, tendo em vista a hipocrisia generalizada e o histórico de engavetamentos de seus antecessores. Mas a natureza partidária da operação recomenda prudência. Basta que um ministro do STF incorpore o encosto imperial deixado por Joaquim Barbosa e podemos ter a presidenta metida numa farsa golpista que o PT aplaudiu como se fosse obra sua.

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