A quem interessa a democracia?

Independentemente do acerto ou não dessa política histórica de alianças, estamos nós aqui discutindo o acerto ou não de apoiar hoje o manifesto "Todos Juntos" em defesa da democracia e da Constituição do País

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Em 1979, o ensaísta baiano Carlos Nelson Coutinho publicou, na revista Civilização Brasileira, um artigo destinado a causar um imenso celeuma na esquerda brasileira: "A democracia como valor universal". 

Num país cujo marxismo foi profundamente influenciado pela Terceira Internacional Comunista (IC), que assimilava o leninismo à uma compreensão meramente tática da democracia e do pluralismo político (como, aliás, das alianças políticas), parecia uma heresia defender uma estratégia democrática radical para a luta pelo socialismo. 

No entanto, Carlos Nelson - valendo-se da melhor tradição pecebista - propunha que a estratégia da "frente ampla" das forças políticas de oposição e que seria o caminho mais acertado para o fim da ditadura militar no Brasil. E que uma longa marcha através das instituições (aparelhos privados da hegemonia de classe) seria o meio adequado para se chegar ao socialismo. 

A ditadura passou, as esquerdas se separaram e veio a Nova República. Independentemente do acerto ou não dessa política histórica de alianças, estamos nós aqui discutindo o acerto ou não de apoiar hoje o manifesto "Todos Juntos" em defesa da democracia e da Constituição do País. O escritor e jornalista Fernando Morais foi o primeiro a se manifestar contra o seu apoio ao documento, chamando-o de anódino, superficial e generalista, que poderia se aplicar a qualquer coisa ou qualquer causa. Pior, assinado por muitos que apoiaram Temer e até Bolasterona. 

Banqueiros, industriais, jornalistas, juristas, personalidades das mais distintas posições. Outros camaradas que militaram, em épocas passadas ao lado do Carlos Nelson, retrucaram que sozinhos, os militantes de esquerda não poderiam fazer nada, precisavam de aliar - taticamente - como já disseram Lenin, aos adversários menos atrasados, contra os mais reacionários e conservadores. E que a prioridade agora seria evitar um golpe e salvar as liberdades democráticas. 

Voltamos, pois, Carlos Nelson, a democracia é ou não um valor universal. Ou temos uma mera compreensão taticista das alianças e do pluralismo político, usando quando e como nos convém dos aliados!

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