A quem serve a privatização dos Correios?

Os brasileiros necessitam de emprego, salário digno e proteção social. Em vez de privatizar os Correios, que tal melhorar as condições de trabalho da categoria?

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(Foto: Reprodução)


A intenção deste governo, patrono do subdesenvolvimento e predatório de privatizar os Correios é uma daquelas ideias que não resistem a qualquer análise minimamente isenta. Em poucas palavras, representaria um verdadeiro crime contra o país e os brasileiros.

Senão, vejamos. Em 2020, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 1,53 bilhão, seu melhor resultado em dez anos. O patrimônio líquido cresceu 84% em relação a 2019, totalizando R$ 950 milhões. Em 30 de novembro daquele ano, foram postados 2,2 milhões de encomendas num só dia, um recorde histórico. 

As receitas internacionais, obtidas pelos serviços prestados aos Correios de outros países, superaram R$ 1,2 bi, outro recorde. De 2001 a 2020, dos R$ 12,4 bilhões que a empresa lucrou no período, R$ 9 bilhões ficaram para o governo. Ou seja, ela dá lucro, e grande. Quem, em sã consciência, cogitaria vender uma empresa com números tão positivos? Que interesses se escondem por trás da proposta?

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É preciso lembrar que esses resultados foram obtidos apesar do processo acelerado de sucateamento a que os Correios vêm sendo submetidos nos últimos anos. Mesmo nessas circunstâncias, a empresa registra resultados expressivos, que qualquer gestor responsável se empenharia em prestigiar, em vez de se desfazer dela a preço vil, como certamente seria.

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E o que seria feito dos cerca de 100 mil trabalhadores concursados, dos 60 mil terceirizados e dos 50 mil que atuam nas agências franqueadas? Num momento em que o desemprego constitui um problema gravíssimo no país, pôr em risco o sustento deste enorme contingente seria uma total irresponsabilidade.

Há outra questão. No Brasil, os Correios são responsáveis não apenas pelo envio de correspondências e encomendas; eles cumprem tarefas de inegável alcance social. Suas agências estão hoje em mais de 5.500 municípios. Se a empresa for privatizada, as 4.500 agências comunitárias, mantidas em convênio com prefeituras, serão fechadas. 

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Hoje, elas são responsáveis, por exemplo, pela distribuição de livros didáticos do FNDE nos mais longínquos municípios brasileiros. Quem passaria a fazer essa distribuição? Porque o mais provável é que as regiões mais remotas e desassistidas fatalmente ficariam sem agências para prestar esse e outros importantes serviços. Além disso, com a privatização e o fim do subsídio tributário, certamente haveria aumento de tarifas.

A rigor, a empresa já vem sendo privatizada aos poucos. Por exemplo, fechando agências próprias e transformando-as em franqueadas – que representam hoje 22% do total, mas recebem 42% do lucro da empresa. Estranho e suspeito, para dizer o mínimo.

O PL 591/2021, que abre caminho para a privatização dos Correios, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto do ano passado. A palavra agora está com o Senado, que ainda não tem data para votar o projeto.

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O ex-presidente Lula já avisou durante o Festival Vermelho, evento público em Niterói, que, caso novamente eleito, não permitirá, sob hipótese nenhuma, a privatização dos Correios. Que o Senado impeça a venda dessa empresa tão importante e simbólica para o país.

Os brasileiros necessitam de emprego, salário digno e proteção social. Em vez de privatizar os Correios, que tal melhorar as condições de trabalho da categoria?

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