A realidade do professor/a Gaúcho/a

Sete anos sem aumento não me parece suficiente para elucidar a situação em que vivemos nós professores, professoras e funcionários e funcionárias da Educação do Estado RS. Então, resolvi pesquisar alguns dados para que, talvez assim, as pessoas compreendam o significado de “sete anos sem aumento salarial”.

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(Foto: REUTERS / Amanda Perobelli)


Não é novidade para ninguém que o salário dos trabalhadores e trabalhadoras da educação há muito vem sendo defasado se comparado a outros profissionais que possuem a mesma titulação. Também não é nenhum segredo que a categoria do magistério vem sendo desrespeitada e desvalorizada pelos governos de direita no Brasil. Recentemente, o Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul – CPERS Sindicato lançou uma campanha intitulada #ReposiçãoJÁ, onde cobra do Estado do RS reposição salarial para recompor as perdas acumuladas em sete anos sem aumentos, utilizando-se de divulgações na mídia para que, caso alguém ainda não tenha conhecimento, compreenda a realidade que vive o magistério gaúcho.

Sete anos sem aumento não me parece suficiente para elucidar a situação em que vivemos nós professores, professoras e funcionários e funcionárias da Educação do Estado RS. Então, resolvi pesquisar alguns dados para que, talvez assim, as pessoas compreendam o significado de “sete anos sem aumento salarial”.

Em 2014, o salário mínimo era de R$ 724,00. Em 2021 ele está em R$ 1.100,00. 

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Em 2014, a gasolina comum custava em média na Capital gaúcha – Porto Alegre R$ 2, 87 no mês de dezembro do mesmo ano. Atualmente a gasolina custa em Porto Alegre (usando a Capital como base) em média R$ 6,00 para o consumidor final. Só no ano de 2021 o combustível teve um aumento de 46%. 

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Em 2014, o preço da cesta básica (que é o conjunto dos produtos de necessidade básica para que uma família de 4 pessoas sobreviva durante um mês e que tem seu preço monitorado por instituição responsável por índices econômicos, contendo 13 alimentos: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga) em Porto Alegre variava em torno de R$ 342,62. Em junho de 2021, segundo o DIEESE/RS, o valor estava em R$ 642,31, ou seja, obtendo um aumento de mais de 87,5%. 

Em dezembro de 2014, o valor do gás de cozinha girava em torno de R$ 44,70 no Rio Grande do Sul. Atualmente atinge valores acima da casa dos R$ 100,00. 

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Os preços da energia elétrica, da água, dos impostos residenciais, dos alugueis, dos produtos de higiene e vestuário e calçado também subiram em níveis semelhantes aos dos produtos citados acima. 

Desde novembro de 2014, os trabalhadores e trabalhadoras da educação recebem o mesmo salário, sem nem ao menos receber a reposição anual da inflação, que de 2014 até agora teria um nível de reajuste de 45,05%. Não conceder o aumento da inflação fere a previsão constitucional de irredutibilidade do salário. 

Importante lembrar ainda que, nos tempos de ensino hibrido e de pandemia, os educadores e educadoras tem arcado com os custos de internet e aparelhos eletrônicos necessários para realizar o trabalho de forma remota. Mais um custo para o já cansado bolso do trabalhador e da trabalhadora da educação. 

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Hoje, o trabalhador e a trabalhadora da educação gaúchos recebem, por isso, diferentemente dos demais trabalhadores e trabalhadoras que mesmo com reajustes pequenos tiveram seus salários aumentados, um salário reduzido ao valor de sete anos atrás. 

A justificativa do governo do Estado é a falta de divisas, entretanto, no primeiro trimestre de 2021 o Estado do RS teve crescimento superior ao PIB Nacional e concede anualmente em torno de 20,1 bilhões de reais de isenções fiscais a grandes empresários; além das muitas reformas feitas na Carreira dos Servidores e Servidoras que permitiram uma economia significativa para os cofres do Estado. 

Sendo assim, é gritante que o descaso com que vem sendo tratada a categoria dos profissionais da educação não está relacionado à economia, e sim ao valor que (não) é dado à educação. É sabido que educar o filho e a filha da classe trabalhadora – que são os frequentadores da escola pública – nunca foi o forte dos governos de direita; é sabido que para eles a classe trabalhadora deve seguir sendo mão de obra barata; é sabido que os querem ignorantes para os manipularem. E é sabido, também, que uma das formas de precarizar ainda mais as escolas públicas é desvalorizando e desestimulando os educadores e educadoras. 

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Que a educação nunca foi prioridade para eles já sabíamos, mas não imaginávamos que queriam nos matar de fome. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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