A suprema bestialidade humana

Não se assustem quando manifestações, como as ocorridas em Charlottesville, começarem a fazer parte do nosso calendário de escatologias ideológicas. Líderes para disseminar tais idéias e seguidores para colocá-las em prática, não faltam por aqui. E essa gente sabe demonstrar toda a sua supremacia no quesito bestialidade. Oremos!

No Texas, EUA, o cartaz diz que o Islã radical é uma nova forma de nazismo
No Texas, EUA, o cartaz diz que o Islã radical é uma nova forma de nazismo (Foto: Nêggo Tom)

"Pare o mundo que eu quero descer. Por que eu não aguento mais escovar os dentes com a boca cheia de fumaça. Você acha graça por que se esquece que nasceu numa época cheia de conflito entre raças" Nada mais pontual do que esse trecho da música "Pare o mundo que eu quero descer", de Raul Seixas, para falar sobre a manifestação promovida pelos supremacistas brancos, na cidade de Charlottesville, no estado da Virgínia.

Não dá para acreditar, que a essa altura da nossa existência universal, seres, ditos humanos, acreditem na teoria "escrotocêntrica" da superioridade e queiram se impor pela cor da pele, por sua cultura, religião ou gênero.  Mais inacreditável ainda, é presenciar cidadãos americanos empunhando tochas acesas, numa clara referência a seita separatista e sanguinária, Ku Klux Klan, e gritando palavras de ordem como: "Vidas brancas importam" e outras ofensas direcionadas a Judeus, gays e outras minorias. Só faltou hastearem uma bandeira com a suástica e cantarem o hino do 3º reich. 

É Inegável, que com a posse de Donald Trump, a extrema direita se sentiu bem a vontade para colocar as suas asas de chumbo para fora. O comportamento dos tais supremacistas brancos, se alinha bem com o pensamento totalitarista do novo presidente americano, que logo em seu discurso de posse, deixou claro que, em primeiro lugar, estaria sempre os Estados Unidos. Depois, os Estados Unidos e mais um pouco depois, os Estados Unidos. E tenho certeza, que ao dizer isso, ele idealizava em sua retina, um país supremacistamente branco. 

Trump se imagina comandando um reallity show, no qual ele determina quem fica e quem sai do jogo, e é natural que o seu desejo de dominar o mundo, reflita no pensamento e nos atos de seus seguidores e simpatizantes. O problema é que toda estupidez precisa ser combatida quando ameaça ir longe demais, limitando o direito de ir e vir do outro e colocando vidas em riscos. Os atos racistas ocorridos em Charlottesville, precisam ser repudiados, como todas as forças, pela comunidade internacional, ou pelo menos, por aqueles que ainda não se deixaram picar pelo mosquito da irracionalidade. 

O que se viu nas ruas daquela cidade, foi um crime contra a humanidade, no qual todos os participantes deveriam estar presos, em nome da supremacia do bom senso. Sob a égide do direito de expressão, determinados grupos tentam disseminar ódio, preconceito, intolerância e violência, fundamentados em suas frustrações pessoais e em suas imperfeições de caráter. 

Mas segundo o presidente Trump, ambos os lados (tanto os supremacistas brancos, quanto os grupos antiracismo) foram violentos. Ele ainda disse que há ótimas pessoas dos dois lados e quando questionado sobre a sua demora em se pronunciar em relação ao ocorrido, rebateu dizendo que não esperou demais e que apenas queria ter certeza, diferente da maioria dos políticos, de que o que ele diria seria correto, sem fazer um pronunciamento apressado.  Tal decalaração, deixa claro que ele pretende impor uma supremacia na arte do stand up comedy. Chris Rock que se cuide.

Quando um chefe de governo diz que esperou para ter certeza, de que um crime cometido contra a humanidade, é mesmo um crime, ele está querendo dizer que nada foi tão grave assim. Qualquer semelhança com um lider de extrema direita que temos por aqui, não é mera coinscidência. Um que gosta de exaltar a memória de torturadores, que diz que os militares mataram pouco e que tinham que ter matado mais e costuma minimizar casos de racismo, dizendo que é vitimismo. 

Não se assustem quando manifestações, como as ocorridas em Charlottesville, começarem a fazer parte do nosso calendário de escatologias ideológicas. Líderes para disseminar tais idéias e seguidores para colocá-las em prática, não faltam por aqui. E essa gente sabe demonstrar toda a sua supremacia no quesito bestialidade. Oremos!

Supremacistas não passarão! 

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