A última cartada

É triste ver o PSDB, um dos poucos bons partidos do País, construído por grandes nomes como Fernando Henrique Cardoso, ter os seus fundamentos desfigurados por uma conduta aventureira e egoísta

É triste ver o PSDB, um dos poucos bons partidos do País, construído por grandes nomes como Fernando Henrique Cardoso, ter os seus fundamentos desfigurados por uma conduta aventureira e egoísta
É triste ver o PSDB, um dos poucos bons partidos do País, construído por grandes nomes como Fernando Henrique Cardoso, ter os seus fundamentos desfigurados por uma conduta aventureira e egoísta (Foto: Fábio Cherem)

Nosso sistema de governo é o presidencialismo. Esse sistema foi confirmado pela vontade popular, num plebiscito que aconteceu em 21 de abril de 1993. O presidencialismo se diferencia do parlamentarismo, pois o presidente tem um tempo determinado para exercer o mandato, enquanto no outro regime o primeiro-ministro pode ser retirado do poder diante de uma crise.

Acontece que o PSDB, na voz de seu controvertido presidente, sr. Aécio Neves, quer encurtar o mandato da Presidenta, eleita democraticamente pela vontade popular num regime presidencialista, alimentando um sonho ou uma ilusão de que, com a sua queda, ele venha ser o favorecido.

Seus casuísticos argumentos são insustentáveis e podem ser facilmente respondidos: crise política no País sempre as tivemos e, como exemplo, citamos o início do segundo mandato de FHC que se marcou por uma grande crise, quando se clamava com intensidade nas ruas: "fora FHC"; a baixa popularidade da presidenta nunca poderia ser mote para cassação e nunca se considerou isso em relação aos presidentes anteriores; pedaladas fiscais infelizmente se tornaram parte da cultura da administração pública no Brasil, e não foram criadas pela Presidenta Dilma, embora a presidência tenha agora a oportunidade de estabelecer um marco histórico, corrigindo, junto ao TCU, através de um Termo de Ajustamento de Gestão, essa situação e abolindo a "jeitometria" da gestão pública; doações de grandes grupos à campanha da eleita beneficiaram simultaneamente o candidato inconformado; e, por fim, se promessas de campanha não cumpridas fossem motivos para destituir um político, teriam de ser afastados também pelo menos 90% de todos os agentes políticos do País.

É triste ver o PSDB, um dos poucos bons partidos do País, construído por grandes nomes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, o próprio Geraldo Alckmin e outros – herdeiros ainda dos que lutaram contra a ditadura e pelo restabelecimento da Democracia, como Ulisses Guimarães e Tancredo Neves – ter os seus fundamentos desfigurados por uma conduta aventureira e egoísta de uma liderança, que por essa conduta apequena sua própria trajetória, simplesmente porque perdeu uma eleição e quer fazer prevalecer o seu desejo a qualquer custo. Resta ao final concluir, sem paixões, que depois de tantas e turbulentas lutas políticas no País, finalmente atingimos o atual estado democrático de direito, que é o mais duradouro e contínuo espaço de tempo já conquistado em nossa história.

Sem maiores sobressaltos, são vinte e sete anos de democracia com eleições diretas respeitadas. Esse é um dos maiores fundamentos da democracia brasileira; essa é a pedra fundamental que não pode, tão simplesmente, ser destroçada pela intemperança caprichosa de um mal perdedor.

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