A única via de virar o jogo é ganhar a eleição

Para o sociólogo e colunista do 247 Emir Sader, "desaproveitar a possibilidade de uma vitória eleitoral, apoiada no sucesso do governo do PT, expresso na popularidade de Lula, seria um suicídio. Pode ser que a direita consiga tramar algo contra essa possibilidade, mas ela não está unificada, nem é onipotente. A força de Lula é um obstáculo para novas operações antidemocráticas"; "O único caminho hoje disponível para a esquerda reverter a situação é a candidatura de Lula ou de quem ele indicar, caso inviabilizem seu registro eleitoral", completa Emir

A única via de virar o jogo é ganhar a eleição
A única via de virar o jogo é ganhar a eleição (Foto: Ricardo Stuckert)

Vai se afunilando o desenlace da mais prolongada e profunda crise da história brasileira, conforme o calendário entra na contagem regressiva para as eleições, com primeiro turno em 7 de outubro. Alguns se dedicam a gastar palavras com teses exóticas, desde que não haverá eleições, até que a esquerda ficaria de fora do segundo turno, passando por exortações verbais a um levante popular, como jogo de palavras sem nenhuma consequência prática.

A única via possível hoje para que o governo golpista seja derrotado e a esquerda retome a iniciativa é uma vitória nas eleições de outubro. Ilusões eleitorais?, dirão alguns. Era o que diziam em 2002, que a esquerda não ganharia. Se ganhasse, o PT trairia e Lula fracassaria. A história correu por outra via: nem o PT traiu, nem Lula fracassou. Mas essas vozes não tiraram consequências das suas previsões erradas, passam agora a exigir autocrítica do PT, por erros cometidos no marco do sucesso do seu governo, enquanto eles nem piscar para se autocriticar (assumiram hoje o que foi a grotesca campanha de Heloísa Helena em 2006, por exemplo?).

A via da esquerda é a via democrática, estreitada pelo golpe e pelo regime de exceção que foi imposto. Desaproveitar a possibilidade de uma vitória eleitoral, apoiada no sucesso do governo do PT, expresso na popularidade de Lula, seria um suicídio. Pode ser que a direita consiga tramar algo contra essa possibilidade, mas ela não está unificada, nem é onipotente. A força de Lula é um obstáculo para novas operações antidemocráticas.

O único caminho hoje disponível para a esquerda reverter a situação é a candidatura de Lula ou de quem ele indicar, caso inviabilizem seu registro eleitoral. Até lá, todas as forças democráticas têm que se unir nesse apoio, no registro da candidatura do ex-presidente em 15 de agosto, com imensa manifestação popular e democrática. E acompanhar a indicação de Lula, para triunfar com o apoio que ele goza na população.

Todo o resto, a esta altura do processo político, é especulação que não tem consequência concreta alguma. Abandonar essa via seria aderir a alguma solução insurrecional, que representaria, hoje, uma via suicida, com o massacre da direita e a consolidação da direita no governo. Outras candidaturas da esquerda não conseguem obter apoio popular para se transformarem em possibilidades de vitória. Ou enveredam por caminhos que se distanciam da esquerda, na busca de alianças sem critério com forças de direita.

Esse é o caminho possível de reversão do golpe hoje. Acumular forças nessa direção significa um trabalho cotidiano de convencimento de setores cada vez mais amplos da população de que sua vida tinha melhorado porque um governo tinha colocado em prática políticas que atendiam seus interesses, mencionando quais eram e como tinham melhorado o emprego, o salário, a educação, entre tantos outros aspectos da sua vida.

Como suas vidas voltaram a piorar muito, quando o governo do PT foi derrubado. E como se pode retomar o caminho de melhoria da vida de todos, do emprego, do salário, da educação, de tudo, se Lula, ou quem ele indicar, voltar a presidir o Brasil.

E fortalecer a luta pela liberdade de Lula, pelo seu direito a ser candidato, pelo seu projeto de resgate do Brasil, com referendo revogatório, Assembleia Constituinte, eleição de um Congresso progressista, construção de uma forca nacional sob a sua liderança, para derrotar a direita e recuperar o governo para a esquerda.

Todas as outras vias são especulações abstratas, que desviam forças e esforços a poucas semanas das eleições, quando se afunilam as alternativas. Disputar e ganhar as eleições de outubro é a única via hoje para reverter a situação do Brasil, superar pela esquerda a pior crise da nossa história e as derrotas que a direita nos impôs.

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