A vacina é a nova Serra Pelada da direita

"Bolsonaro está sob o controle do centrão, e o centrão é o intermediário dos vendedores da Sputnik", diz o colunista Moisés Mendes. "A nova Serra Pelada pode estar apenas ganhando forma. Falsos centristas da velha Arena e novos fascistas têm afinidades para ganhar dinheiro com a morte"

(Foto: Divulgação | ABr)
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Os cientistas do centrão correm para a vacina russa como os aprendizes de garimpeiro corriam em disparada nos anos 80, de toda parte, em direção ao Pará.

Muita gente que nunca garimpou na vida se meteu a fuçar nas crateras da Serra Pelada. Eram as tentações do ouro dos miseráveis.

Hoje, gente que não sabe como se faz chá de guaco quer ser fabricante de vacina contra a Covid-19. É o ouro dos espertalhões. Até Bolsonaro foi contagiado por esse impulso exploratório.

Logo ele, que nunca quis vacina. Não só a chinesa, mas a russa, a americana, a indiana. Qualquer vacina que se apresentasse diante do sujeito seria desqualificada.

Bolsonaro queria o caos e a disseminação da cloroquina agora encalhada no colo dos generais. Mas a vacina virou o tesouro da direita oportunista e empreendedora.

Bolsonaro já mandou que sua representante defenda na Organização Mundial da Saúde que a vacina é um bem da humanidade e como tal deve ser produzida em toda parte.

Ele quer mesmo é abrir a porteira para os amigos lobistas da União Química, que pressionam a Anvisa para que possam começar a importar e a produzir vacinas como quem produz salsichões.

Vacinas serão o negócio do século 21. Os Bolsonaros estão atentos. Primeiro, Flávio tentou intermediar a compra de vacinas pelos milionários brasileiros que pretendiam assegurar a própria imunização, das suas famílias e de executivos.

Não deu certo. O chefe da quadrilha das rachadinhas foi delatado por um diretor da Gerdau, que estranhou sua presença no grupo interessado na vacina da Índia.

A ideia foi bombardeada pela própria elite empresarial e considerada imoral por gente do porte de um Armínio Fraga. Os Bolsonaros se recolheram, mas não desistiram.

Havia a chance de fabricar aqui a vacina russa Sputnik. Bastava um galpão e uma pressão articulada para que a Anvisa liberasse a importação e/ou a produção de emergência, em processos mais rápidos do que os aprovados para as vacinas do Butantan e da Fiocruz.

A direita, que se aliou ou se omitiu diante da sabotagem à vacina liderada por Bolsonaro, de uma hora para outra virou parceira da ciência.

Quando Bolsonaro diz agora que nunca se opôs à vacinação, o que ele quer dizer é: agora pode. E pode porque os lobistas da vacina russa entraram na jogada.

Bolsonaro está sob o controle do centrão, e o centrão é o intermediário dos vendedores da Sputnik.

A direita organizada sai na frente, numa corrida maluca, impondo prazos à Anvisa, porque precisa assumir o comando do garimpo, importando ou tentando fazer aqui mesmo um imunizante complexo.

Surgem então indícios de que a vacina pode ser controlada no
Brasil não agora, mas logo mais adiante, por uma facção que pretende abastecer clínicas, laboratórios, hospitais.

A direita empreendedora sempre redescobre que qualquer desastre ou peste criam chances de negócio. A Anvisa conseguirá resistir?

O presidente da agência, o contra-almirante Antonio Barras Torres, será a grande surpresa do bolsonarismo contra o próprio Bolsonaro?

A nova Serra Pelada pode estar apenas ganhando forma. Falsos centristas da velha Arena e novos fascistas têm afinidades para ganhar dinheiro com a morte.

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