Aborto: Quanto mais ilegal, mais prejudicial

É extremamente importante quando falamos ou pensamos sobre o aborto que não tratemos o assunto como certo ou errado, apenas como uma questão de saúde pública

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Um dos assuntos mais falados na atualidade em uma discussão sobre se é certo e errado, mas será que estamos tratando o assunto com a devida seriedade e imparcialidade que merece?Para entendermos o conceito da proibição do aborto, precisaremos nos remontar ao ano de 1869 quando a Igreja Católica decide se posicionar acerca do aborto dizendo que considera que a vida se inicia à partir do embrião considerando então que interromper a gestação em qualquer fase seria um pecado e aproveitando a ocasião se posiciona contra qualquer tipo de contraceptivo e considera também um pecado.Como sabemos, a religião sempre esteve diretamente ligada a política e as leis no geral sempre acompanharam os diversos posicionamentos da mesma, visto isso, após a essas declarações eclesiásticas diversos países ao redor do mundo adotaram em suas constituições a proibição na forma da lei.Com a descoberta das pílulas anticoncepcionais e a expansão das teorias feministas, houve a dissociação entre as imagens de maternidade e sexualidade. Dali em diante, surgiu-se a segmentação entre os ideais da Igreja e do Estado na referência ao aborto. No ano de 1920, a União Soviética criou políticas sociais para garantir a saúde da mulher trabalhadora e legalizou a prática. Após pouco mais de uma década, o México reconheceu o direito ao aborto em caso de estupro. Em seguida, outros países, como Polônia, Islândia, Suécia, Reino Unido, Canadá e mais recentemente a Irlanda, cada qual do seu modo, legalizaram o procedimento. Porém em 26 países até os dias de hoje o aborto é totalmente proibido e segundo a Center for Reproductive Rights (Centro pelos Direitos Reprodutivos) mais de 90 milhões de mulheres em idade reprodutiva residem nesses países.Estima-se segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) que entre 2010 e 2015 ocorreram mais de 55 milhões de abortos ao redor do mundo onde 97% foram realizados em países que criminalizam tal prática. Desse total também se estima que 45% dos abortos ocorreram de forma insegura. Tais dados nos levam a entender sociologicamente que a proibição do aborto não o impede de acontecer apenas impede que as mulheres com menos condições tanto financeiras quanto psicológicas tenham acesso a tal procedimento com mais garantia à sua própria vida, visto que, atualmente no Brasil segundo dados do Ministério da Saúde, uma mulher morre a cada dois dias em clínicas de aborto clandestinas no país e a grande maioria são mulheres negras e periféricas.

Outro dado alarmante também segundo o Ministério da Saúde é de que 94% das mulheres que recorreram ao aborto no país foram vítimas de estupro e 29% destas tinham entre 12 e 19 anos apenas.

É extremamente importante quando falamos ou pensamos sobre o aborto que não tratemos o assunto como certo ou errado, apenas como uma questão de saúde pública a qual deve ser promovida como política de Estado. Daí vem a outra enorme importância de elegermos representantes políticas com compromisso direto com as mazelas sociais que nos cercam e que defendam as mulheres que ainda são minoria nos espaços de poder a fim de acabarmos com os que apenas ratificam preconceitos baseados em suas crenças que ao invés de promover a vida, promovem mais mortes. É fato que não é fácil lutar contra um conceito social tão antigo e tão estrutural, mas jamais será impossível.Lutar pelo direito da mulher ter autonomia sobre seu corpo é dever de todo ser humano que possui consciência dentro da luta por igualdade e equidade.

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