Aconteceu em Israel

www.brasil247.com - O muro de separação que isola territórios palestinos
O muro de separação que isola territórios palestinos (Foto: DEBBIE HILL)


Por Mauro Nadvorny 

Algumas coisas interessantes aconteceram aqui em Israel nestas últimas semanas e valem ser relatadas.

A NSO, a companhia que desenvolveu o programa spiware Pegasus, sofreu um baque quando o governo americano decidiu que ela é um perigo para a segurança nacional. Finalmente!

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O Pegasus uma vez instalado em um celular, transmite tudo o que é feito nele, além de manter a câmera e o microfone disponíveis. É como ter um celular clonado, só que o cara que clonou, na verdade espelhou o seu celular e pode acessar e fazer o quiser sem que você fique sabendo.  

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O spyware é uma arma magnífica no combate ao crime, não há dúvidas quanto a isso. O problema é que a definição do que é crime, muda de país para país. Nas ditaduras, por exemplo, é crime falar contra ela e aí está o xis da questão. Inúmeros países pouco democráticos, por assim dizer, adquiriram o spyware para monitorar, prender e até matar seus oponentes.

A empresa se coloca como os fabricantes de armas, e repete o mesmo que elas. Não tem culpa se a utilização é para o mal. De fato, quem vende esta tecnologia para uma Arábia Saudita, Azerbaijão, Cazaquistão, Bahrein, Hungria, Marrocos e Ruanda imaginando que o uso será restrito no combate ao tráfico de drogas e a criminalidade, precisa rever seus conceitos urgentemente. Sua atuação agora fica muito prejudicada.

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O fato seguinte que merece ser relatado é que o governo da mudança, uma Frente Ampla de partidos de esquerda, centro e direita, continua firme e forte depois da aprovação do orçamento pela Knesset, como é chamado o parlamento. Com uma coalizão de 61 membros, apenas um a mais do que o necessário, tudo fica difícil.

O que mais chama atenção nesta coalizão é a presença do Partido Árabe Raam. Este é um partido religioso que diferentemente dos partidos religiosos judaicos, não se colocam a direita. Eles estão integrados ao governo e dele participam ativamente sempre com olhos em benefícios para o setor árabe da população.

A oposição é formada pelo Likud, partidos religiosos, extremistas de direita e a Lista Unida, a Frente Ampla de partidos árabes. Juntos, votam contra tudo que o governo propõe, não importa a natureza da proposta. Lembram daquela expressão "Hay gobierno, estoy en contra" (existe governo, sou contra). São eles.  

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Neste caso, eles acusam o atual governo de ser submisso ao Raam que de fato seria quem governa o país, ou seja, estamos sendo governados pelos árabes. O interessante é que por de trás deste ranço racista existe o fato de o Likud ter oferecido mundos e fundos para o Raam formar governo com eles depois das eleições. Não aceitaram. E claro, nada dizem sobre estar votando juntos com a Lista Unida, o partido árabe que mais criticavam quando foram governo.

Um exemplo do que acontece com uma oposição que ainda não entendeu que perderam as eleições e perdeu o senso do ridículo, é o último fato que desejo relatar, o aprisionamento de um casal de turistas israelenses na Turquia e sua libertação.

O casal Oknim, ambos motoristas de ônibus foram para a Turquia passar férias. Milhares de israelense fazem isto atraídos pela cultura, natureza, comida, preços baixos etc, fazendo da Turquia o lugar preferido para curtirem suas férias.  

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Um dos locais de visita é a Torre de TV que permite uma visão da casa de Erdogan, o presidente do país. Como todos que sobem na torre, eles fotografaram tudo, inclusive a tal casa e postaram nas redes sociais. Nada de mais, mas não foi o que achou um funcionário do serviço secreto que estava por perto. Avisou seus superiores e o casal recebeu voz de prisão por espionagem, crime que poderia, se condenados, receber uma pena de muitos anos de prisão.

Foi uma comoção em Israel. Não preciso nem falar do desespero da família. O governo se manteve discreto e trabalhou por vias diplomáticas até conseguir a libertação do casal que imediatamente embarcou de volta para casa. Tudo isto levou cerca de 10 dias. Neste período o ministro do interior turco dizia se tratar de um caso de espionagem militar e a justiça turca havia prorrogado a prisão do casal por 20 dias até que fossem apresentadas as acusações contra eles. A situação surreal estava se transformando em um  caso sério, mas que teve um final feliz.

Com o casal de volta, o presidente de Israel e o Primeiro Ministro, telefonaram para Erdogan para agradecer sua intervenção no caso. Ressalto aqui, que nossas relações diplomáticas com a Turquia não são das melhores e este fato, talvez, traga um novo alento e permita uma reação que possa beneficiar as negociações de um futuro Estado Palestino, quando acontecerem.

Relatei tudo isso para chegar na reação do Likud da oposição: eles criticaram o governo por ter agradecido Erdogan, aquele que havia de fato sido o "sequestrador" do casal. Temos aqui partidos que se beneficiaram de 20 anos de governos com Netanyahu e que agora se encontram totalmente perdidos fazendo uma oposição ridícula com atitudes vergonhosas.

Por fim o inusitado. A mídia mostrou que a esposa durante as últimas eleições apoiou abertamente o Likud. Mais do que isto, fez postagens chamando o atual primeiro ministro de traidor e usurpador dos votos da direita dados a ele para que formasse um governo de direita. Questionada, se desculpou e se disse agora uma apoiadora incondicional do atual governo. O que não faz uma viagem de férias na Turquia e as voltas que o mundo dá.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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