Aécio e os maus conselhos de FHC

Só há uma certeza: Dilma estará no segundo turno. Portanto, o alvo do PSDB deveria ser Marina Silva

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A duas semanas das eleições presidenciais, só há uma certeza: Dilma Rousseff estará no segundo turno. Há vários meses, ela se mantém estável entre 35% e 38% das intenções de voto e nada indica que ficará de fora da rodada decisiva. Onde há dúvida, sim, é sobre quem a enfrentará: Marina Silva ou Aécio Neves. Hoje, a candidata do PSB é favorita, mas o tucano voltou a se animar depois que tanto o Ibope como o Datafolha apontaram os primeiros sinais de recuperação de sua candidatura.

Os números do Datafolha, divulgados na sexta, são ainda mais representativos porque indicam uma tendência. Marina perdeu votos entre os mais escolarizados, entre os mais pobres e em praticamente todas as regiões do País. Portanto, seu viés é de baixa e, segundo o diretor do instituto, Mauro Paulino, Aécio foi quem mais se beneficiou do confronto entre Dilma e Marina. Ele afirma ainda que, em uma semana, Aécio tem potencial para subir de 17% a 21%, enquanto Marina pode cair de 30% a 26%. Com a margem de erro, de dois pontos, chega-se quase a um empate técnico, o que tornaria a a última semana eletrizante.

Isso significa que, de hoje até 5 de outubro, Aécio tem uma única adversária: Marina Silva. Dilma só será sua oponente caso ele consiga passar para o segundo turno. Por isso, chega a ser incompreensível o conselho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que o tucano concentre seus ataques em Dilma – e não na candidata do PSB. Foi Marina quem tirou de Aécio a segunda posição ocupada por ele durante toda a corrida presidencial. E é Marina quem tenta se manter nesta condição vendendo a teoria do "voto útil", que prega que só ela seria capaz de derrotar o PT.

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É justamente esse o veneno inoculado na parcela do eleitorado que rejeita o governo atual. Muitos preferem Aécio, mas foram convencidos de que apenas Marina pode derrotar Dilma. E quando o tucano ensaia uma crítica à candidata socialista no horário eleitoral, ele o faz recordando os vínculos pretéritos de Marina com o petismo – ou seja, reforçando a tese de que tirar o PT do poder é o que realmente importa. No entanto, como Marina é ex-petista e hoje vive cercada de tucanos ou ex-tucanos, já dispostos a participar de seu eventual governo, o argumento é fraco para derrotá-la.

Caso Aécio queira realmente renascer nesses 15 dias que restam, não basta esperar a chegada da "onda da razão". Ele precisará apontar, com clareza, porque o voto em Marina seria irracional, ou seja, demonstrando sua falta de experiência administrativa, de estrutura partidária, de equipe e de convicções firmes sobre vários temas, uma vez que os constantes recuos da candidata já são uma marca da atual disputa. Ou Aécio se convence disso, ou diz adeus à disputa.

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