Aécio Neves, o cambaleante (in) feliz

O playboy mimado, que até hoje não digeriu a amarga derrota, insiste em afirmar que seria o melhor presidente para o Brasil

Senador Aécio Neves (PSDB-MG) concede entrevista.

Foto: Pedro França/Agência Senado
Senador Aécio Neves (PSDB-MG) concede entrevista. Foto: Pedro França/Agência Senado (Foto: Altamiro Borges)
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Em seu palanque semanal na Folha de S.Paulo, o tucano Aécio Neves publicou um texto hilário nesta segunda-feira (26). Intitulado "(In)feliz aniversário", o artigo faz o balanço de um ano da vitória de Dilma Rousseff no segundo turno do pleito presidencial. O playboy mimado, que até hoje não digeriu a amarga derrota, insiste em afirmar que seria o melhor presidente para o Brasil. "Um breve olhar para esses 12 meses só faz aumentar a minha convicção de que a oposição travou na eleição o bom combate". Pena que os eleitores não entenderam e rejeitaram, nas urnas, o infeliz cambaleante! 

 
Egocêntrico, ele manda a modéstia às favas: "Falando a verdade, apresentamos aos brasileiros os problemas que o país precisava enfrentar e nossas ideias para superá-los. Infelizmente a candidatura vitoriosa privou o Brasil desse debate, optando por criar uma grande ilusão em relação à situação do país, usando e abusando da mentira e da calúnia como principais armas de campanha". Ele só não explica porque foi fragorosamente derrotado em seu próprio Estado, com uma dupla e vergonhosa derrota: no pleito presidencial e na disputa pelo governo de Minas Gerais, que controlava há 12 anos.
 
Ainda de ressaca, Aécio Neves obra uma outra pérola: "Não há na política, especialmente nas crises, ativos mais valiosos do que confiança e credibilidade. A perda desses atributos é extremamente grave porque dificilmente se consegue recuperá-los. Essa é a verdadeira crise que atormenta o petismo. Se a vitória nas urnas não nos coube, a missão que nos foi delegada pela população não foi menos nobre: fiscalizar o governo eleito e zelar pelo país". Confiança e credibilidade? Pausa para as gargalhadas! Quanto "à missão que nos foi delegada pela população", cabe perguntar se a ação desestabilizadora e golpista, na política e na economia, ajuda o povo brasileiro? 

As bravatas semanais de Aécio Neves na Folha tucana só servem para mostrar, aos que não viraram ingênuos "midiotas", que o presidente nacional do PSDB anda desesperado. Ele é, de fato, um infeliz cambaleante! O senador mineiro sabe que o seu tempo político está se esgotando. Inviabilizada a tese golpista do impeachment de Dilma, ele será mastigado no ninho. Sem uma forte base de sustentação, após ser expulso de Minas Gerais, ele não terá a menor chance diante do governador paulista Geraldo Alckmin na briga pela candidatura em 2018. Até o eterno derrotado José Serra pode esmagá-lo. Nesta guerra, alguns dossiês tucanos até poderão escancarar a vida secreta de Aécio Neves!
 
Prova de que o senador mineiro não está com esta bola toda surgiu em mais uma pequena notinha na revista Época, postada nesta segunda-feira pelo jornalista Murilo Ramos. Vale conferir:
 
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Clima entre Alckmin e Aécio está conturbado

Governador paulista diz a amigos que senador mineiro tenta minar suas possibilidades no PSDB

O clima entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador Aécio Neves está azedo. Alckmin reclama a amigos que Aécio, apesar do discurso colaborativo, não abre espaço para ele nem pensar numa candidatura ao Planalto em 2018. Ao contrário, saca aliados de Alckmin em diretórios regionais e controla o fundo orçamentário de acordo com seus interesses.


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Outra prova de suas dificuldades é que a aliança espúria com o Eduardo Cunha começa a dar zebra. Os tucanos golpistas apostaram todas as fichas no lobista para acelerar o processo de impeachment de Dilma. Mas Eduardo Cunha, o amigo carnal de Aécio Neves, está mais sujo do que pau de galinheiro. Na sexta-feira (23), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que já estuda pedir seu afastamento da presidência da Câmara Federal. Para piorar, o Supremo Tribunal Federal autorizou o sequestro de R$ 9,6 milhões do lobista depositados em contas secretas na Suíça. O falso evangélico agora só pensa na sua própria salvação, o que dificulta os planos do desesperado Aécio Neves.
 
Temendo ir para o inferno junto com Eduardo Cunha, alguns líderes do PSDB até ensaiaram deixá-lo sozinho no lodaçal. Mas não dá mais para esconder a aliança espúria. Até a Folha tucana já optou por denunciar a "aliança de alto risco", conforme artigo publicado pelo colunista Bernardo Mello Franco. Também vale conferir:    
 
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Folha de S. Paulo, 23 de outubro de 2015

bernardo mello franco

Aliança de alto risco

A oposição protocolou nesta quarta um novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O documento é uma versão recauchutada do anterior, apresentado no início de setembro.

"Estamos fazendo recorta e cola", resumiu um dos signatários, o advogado Miguel Reale Junior. Ele foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso. É filiado ao PSDB, partido que perdeu as últimas quatro eleições presidenciais.

O texto também recebeu o jamegão do advogado Hélio Bicudo, um ex-petista que se dedica há pelo menos dez anos a combater o PT. Em 2010, ele afirmou que a eleição de José Serra era "a maneira de se salvar a democracia no Brasil". O tucano foi derrotado nas urnas. Felizmente, o regime político do país não mudou.

A petição de Reale Junior e Bicudo tem a estridência dos antigos tribunos. Abusa das maiúsculas, em afirmações como a de que o ex-presidente Lula "NUNCA SAIU DO PODER". Também exagera nos pontos de exclamação. Reúne nada menos que 28, salpicados em expressões como "Um acinte!"e "O caso é grave!".

O documento cita 16 vezes a palavra corrupção. Apesar disso, os líderes da oposição aceitaram entregá-lo ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado de embolsar dinheiro desviado da Petrobras.

Depois do ato, o líder do PSDB, Carlos Sampaio, disse que o peemedebista ainda tem condições de permanecer no cargo. "Enquanto o presidente dessa Casa não renunciar, ele tem a legitimidade e a prerrogativa de tomar as decisões", declarou.

Politicamente, o pedido "recorta e cola" foi uma ajuda e tanto para Cunha. Ele ganhou um instrumento para continuar na cadeira, intimidando governo e oposição.

Para os tucanos, a aliança com o correntista suíço é uma estratégia de alto risco. Nos últimos anos, o PSDB pediu votos pregando a ética na política. Ao abraçar Cunha, pode acabar sem impeachment e sem discurso para as próximas eleições.

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