Aécio, Temer e Gilmar querem 20 anos de poder

"Os três – Aécio, Temer e Gilmar – ao mesmo tempo em que se protegem um ao outro ditam a pauta nacional que destrói direitos trabalhistas e promove uma grande liquidação do patrimônio brasileiro e pretendem continuar ditando por muito tempo. Uns 20 anos. O governo Temer , que não possui voto popular, só tem dois caminhos para se perpetuar no poder: parlamentarismo ou ditadura", diz o colunista Alex Solnik; "Eles até vão deixar o povo escolher o presidente em eleições livres e diretas, mas ele não vai mandar nada. Vai ser uma rainha da Inglaterra. Mesmo que se chame Lula"

Michel Temer Aécio Neves
Michel Temer Aécio Neves (Foto: Alex Solnik)

  Faz-me rir o mimimi do PMDB exigindo de seu chefe máximo, Temer, a cabeça (branca) do Imbassahy.

   São péssimos atores. Eles sabem muito bem que Temer jamais vai fazer isso porque não é maluco de mexer com quem é olhos e ouvidos de Aécio no governo.

   Tirar Imbassahy só se for para colocar outro tucano no lugar, mas para que trocar seis por meia dúzia?

   Então por que o mimimi?

   Porque, como já se cantava nos velhos carnavais de rua, quem não chora, não mama.

   E os peemedebistas querem mais em contrapartida à permanência do tucano.

    Temer e Aécio têm muito mais coisas em comum que malas de dinheiro na biografia.

    E estão casados até que a morte (política) os separe.

    Mas eles não poderiam ser o que são nem fazer o que fazem nem sair ilesos do que fazem se não tivessem a toga amiga de Gilmar Mendes no STF e no TSE.

   É um Gilmar que vale por dois. Ele aconselhou Temer a colocar Alexandre de Moraes no STF e Raquel Dodge na chefia da PGR, que são e serão esteios firmes desse governo que não quer acabar em 2018 como preconiza o calendário eleitoral.

   Temer e Aécio não são ingratos com Gilmar, de jeito algum. Se houver alguma séria ameaça de impeachment do magistrado, lá estarão os senadores do PSDB e do PMDB para matar no peito.

   Temer agradece aos bons préstimos de Gilmar, que tem sido seu advogado desde a crise JBS através dos polpudos patrocínios da Itaipu Binacional – que não será privatizada – aos seminários do ministro, até mesmo em Portugal, como li recentemente na revista Piauí.

   Não faltam, portanto, mimos de parte a parte.

   Quanto mais o trio convive, mais seus integrantes se parecem.

   Temer está cada vez mais parecido com Gilmar. Sua última declaração – “eu recebo quem eu quero, na hora que eu quero, no lugar que eu quero” – parece retirada do repertório impiedoso do vitalício ministro do STF.

   Os três – Aécio, Temer e Gilmar – ao mesmo tempo em que se protegem um ao outro ditam a pauta nacional que destrói direitos trabalhistas e promove uma grande liquidação do patrimônio brasileiro e pretendem continuar ditando por muito tempo. Uns 20 anos.

   O governo Temer , que não possui voto popular, só tem dois caminhos para se perpetuar no poder: parlamentarismo ou ditadura.

   Ditadura assim, explícita e descarada, como propõe o Bolsonaro não está com essa bola toda, ainda, mas o parlamentarismo eles vão tentar enfiar goela abaixo dos brasileiros, e já começaram a falar nisso, vendendo como uma coisa “moderna”.

   A constituição exige plebiscito em caso de mudança de sistema de governo, mas o Congresso pode tudo, como estamos cansados de ver – e em 1961 aprovou o parlamentarismo contra a vontade popular.

   Vão dar um jeito de mudar as regras eleitorais de forma que os que estão lá no Congresso se reelejam sem o risco de serem rejeitados pelos eleitores e depois elejam o mandachuva da nação, o primeiro-ministro.

   Pode ser o próprio Temer. Afinal, ele tem sido o grande benfeitor dos deputados que cooptou.

   Cunha está na cadeia – e parece que não sai tão cedo porque não mostra disposição de dizer tudo o que sabe.

   Rei morto, rei posto.

   Eles até vão deixar o povo escolher o presidente em eleições livres e diretas, mas ele não vai mandar nada.

   Vai ser uma rainha da Inglaterra. Mesmo que se chame Lula.

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