Aécio, uma alma penada no Senado

Até os seus companheiros tucanos  não o querem mais no comando do partido, exigindo a sua renúncia. O mineirinho, portanto, que, inconformado com a derrota nas urnas nas eleições presidenciais de 2014,  liderou o golpe que destituiu a presidenta Dilma Roussef – e chegou inclusive a  entrar com uma ação no TSE pedindo a cassação da chapa dela  “só pra encher o saco” – morreu politicamente, sem choro nem vela,  deixando órfãos e envergonhados todos os que, entre artistas e políticos,  abraçaram a sua candidatura; leia o artigo do colunista Ribamar Fonseca

aécio
aécio (Foto: Ribamar Fonseca)

O senador Aécio Neves virou uma alma penada no Senado. Depois de restaurar o mandato dele e o seu direito de sair à noite, revogando decisão do Supremo Tribunal Federal, seus colegas passaram a evitá-lo, temendo contaminar-se. Ele ficou praticamente sozinho, abandonado até pelos seus antigos escudeiros, como o deputado Carlos Sampaio, que era a sua sombra, e agora ninguém lhe dá ouvidos.  E até os seus companheiros tucanos  não o querem mais no comando do partido, exigindo a sua renúncia. O mineirinho, portanto, que, inconformado com a derrota nas urnas nas eleições presidenciais de 2014,  liderou o golpe que destituiu a presidenta Dilma Roussef – e chegou inclusive a  entrar com uma ação no TSE pedindo a cassação da chapa dela  “só pra encher o saco” – morreu politicamente, sem choro nem vela,  deixando órfãos e envergonhados todos os que, entre artistas e políticos,  abraçaram a sua candidatura. Era esse o homem que eles queriam na Presidência da República.

O ex-sorridente e falante senador, para quem até uma piscadela de Dilma era um gesto de extrema gravidade, perdeu a pose de líder e potencial candidato tucano ao Palácio do Planalto depois que foi flagrado, entre outras coisas, pedindo propina ao empresário Joesley Batista, a quem hoje chama de bandido. Até serem gravados, ele e Michel Temer conviviam com os irmãos Batista como amigos e parceiros de ilicitudes. Só depois de desmascarados é que passaram a considerar os donos da JBS de criminosos. Então, vale a pena lembrar o velho dito popular, segundo o qual “quem com porcos vive farelo come”. O que dizer agora daqueles que tinham relações estreitas com Aécio e até gostavam de tirar selfies com ele, sugerindo uma velha amizade, e hoje se esforçam para distanciar-se dele, inclusive apagando as fotos antes postadas nas redes sociais? Para quem tem pretensões políticas, hoje, é um mau negócio aparecer ao lado do ainda presidente nacional do PSDB. 

Há quem afirme que o inferno é aqui mesmo. Deve ser. Que o diga, além de Aécio,  o ex-deputado Eduardo Cunha, acusado de comprar deputados para a aprovação do impeachment que afastou a presidenta Dilma Roussef e colocou no poder Michel Temer, o homem que está destruindo o país com o apoio da parte podre do Congresso Nacional, do Supremo, da Lava-Jato  e da mídia mercenária. Lembre-se o que disse Jesus, em seu Evangelho: “A semeadura é livre mas a colheita obrigatória”. Ele e Aécio estão colhendo o que semearam, pois como diz o velho dito popular: “Quem semeia ventos colhe tempestades”. E vai chegar, também, a vez de Temer e de todos os que, direta ou indiretamente, contribuíram e ainda contribuem para desmontar as nossas conquistas sociais, ampliar a pobreza, aumentar o número dos que passam fome, reduzir as oportunidades de educação,  expandir o desemprego e entregar nossas riquezas naturais para o capital estrangeiro. Diante da Justiça divina nem  tucano consegue ficar impune. 

Resta saber como o Supremo tratará agora o mineirinho, depois  da decisão do Senado que o salvou. Os quatro inquéritos contra ele que tramitam naquela Corte tem como relator o seu amigão Gilmar Mendes, com quem costuma manter longos papos por telefone e que foi “sorteado”, por pura sorte,  pela roleta eletrônica da Casa. Se essa mesma roleta fosse utilizada pela  Loteria da Caixa, para sorteio dos seus diversos jogos, Gilmar e Aécio abocanhariam todos os prêmios. É muita sorte. Levando-se em conta tanta sorte, o senador mineiro provavelmente se safará incólume dos quatro inquéritos no STF, onde tem correligionários e até admiradores. Se depender, portanto, da Suprema Corte, Aécio continuará livre, leve e solto para curtir as baladas noturnas, engordar sua conta bancária e até concorrer à reeleição, porque bandidos mesmo são os irmãos Batista, que lhe deram dinheiro e o denunciaram, num ato criminoso contra um homem inocente, vítima de armação, segundo sua defesa.  Só não terá mais espaço no Senado e no seu partido.

Vale registrar que as trapalhadas de Aécio, incluindo o casamento com Temer,  não apenas o destruíram politicamente, embora impune, mas, também, o PSDB, que precisará mudar de nome – e de ave-símbolo – se quiser pelo menos concorrer nas próximas eleições. Sem nomes com alguma chance de chegar ao Palácio do Planalto pelo voto direto, o partido decidiu se suicidar agarrado a Temer que, mesmo que consiga barrar a denúncia da Procuradoria Geral da República na Câmara, mais cedo ou mais tarde será defenestrado da Presidência. Embora mantendo-se no cargo à custa até de trabalho escravo, uma afronta aos homens de bem deste país que aguardam, decepcionados, uma providência da Suprema Corte, Temer não conseguirá se perpetuar no poder. Chegará o momento em que  o povo, mesmo sem Kataguiris para manobrá-lo e sem a cobertura da mídia,  sairá às ruas de qualquer maneira numa explosão de indignação. E aí tudo pode acontecer. 

 

 

 

 

 

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