Alemães

Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia, destaca que Carola Rackete é uma capitã alemã "que desobedeceu as ordens do governo neofascista da Itália e desembarcou seres humanos famintos e exaustos, na ilha de Lampedusa"; "Enquanto isso, no Brasil, a página do glorioso Exército Brasileiro reverencia a memória de um oficial nazista alemão", critica

Por Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia

Carola Rackete.

Guardem esse nome.

É uma capitã alemã de um navio de resgate de refugiados no Mar Mediterrâneo, na dita civilizada Europa, que desobedeceu as ordens do governo neofascista da Itália e desembarcou seres humanos famintos e exaustos, na ilha de Lampedusa.

Tem 31 anos e uma coragem típica das mulheres que mudam o rumo da História.

Está presa, à espera de um julgamento feito em terras estrangeiras, provavelmente, por juízes do naipe de Sérgio Moro.

Enquanto isso, no Brasil, a página do glorioso Exército Brasileiro reverencia a memória de um oficial nazista alemão, Otto Maximilian von Westernhagen, morto por um grupo de esquerda da luta armada, durante a ditadura militar, no Rio de Janeiro.

Otto estava no Brasil, em 1968, como aluno da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, segundo o site do EB, “com a missão de apresentar ao mundo o valor do Exército da Alemanha, tentando desfazer a imagem negativa deixada na 2ª Guerra Mundial”.

A imagem negativa, para quem não sabe, era a tortura e o extermínio de seis milhões de judeus, ciganos, homossexuais e, claro, comunistas – este último grupo, certamente, o objeto de estudo do aplicado oficial alemão.

Apenas para constar: a morte de um nazista, mesmo por engano, como alegam historiadores (sic) do Exército, é uma morte justa e desejada.

Talvez, com Carola Rackete, esses gorilas ignorantes aprendam a reverenciar o alemão – no caso, a alemã – certo.

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