Alguém avise Ciro Gomes que a eleição está ameaçada

"Ciro é um pouco o que todo tucano gostaria de ser e não é: é inteligente e tem biografia; ponto; mas, o domínio excessivo dos números da economia (ele parece um engolidor de facas desfilando números de cabeça) também cega", diz o colunista Gustavo Conde sobre a entrevista que o pré-candidato à presidência deu ao programa Roda Viva da TV Cultura; para Conde, Ciro subestima o risco do cancelamento das eleições e esse pode ser o seu erro fatal

Ciro Gomes 
Ciro Gomes  (Foto: Gustavo Conde)

Ciro Gomes nadou de braçada na entrevista do Roda Viva. É óbvio que ele é inteligente. Mas inteligência só não basta em um Brasil devastado. É preciso um pouco mais.

Ciro é um pouco o que todo tucano gostaria de ser e não é: é inteligente e tem biografia. Ponto. Mas, o domínio excessivo dos números da economia (ele é um virtuose, faz quase um show de circo desfilando números; parece um engolidor de faca) também cega.

Perde-se, com tamanho virtuosismo, a capacidade de produzir julgamentos políticos dotados daquela sensibilidade diferenciada que todo governante que lida com a desigualdade extrema precisa ter.

Nesse sentido, Ciro lembra o PSDB: é um tecnocrata. A diferença (para o PSDB) é que ele é de fato talentoso e inspira alguma confiança. Vendo a perfomance de Ciro só posso pensar numa coisa: que ministro maravilhoso do Lula ele poderia ser (como foi). Em tempo e aos ciristas que me leem: é um elogio a Ciro.  

O problema de Ciro, em não defender de maneira clara o direito de Lula ser candidato, é que ele pode ser varrido do mapa eleitoral juntamente com Lula, com Bolsonaro, com Supremo, com tudo.

Aliás, é o Supremo que prepara um entendimento jurídico facilitador para o parlamentarismo de emergência que se anuncia no Congresso desesperado.

Isso é uma coisa. A outra, ainda mais grave é que, pela primeira vez - dado o choque de realidade que a greve de caminhoneiros produziu na própria imprensa - a falta de liderança se alastrou pelo país inteiro e por todas as instituições.

De repente, o Brasil se deu conta e que não existe mais autoridade nenhuma em nenhum lugar – inclusive no exército.

A insubordinação já aconteceu: o exército se recusou a obedecer o governo na contenção da greve dos caminhoneiros, com toda a razão, diga-se. O precedente, no entanto, foi criado.

Ciro Gomes desfila como se a eleição fosse uma garantia olímpica e definitiva. Não é. Ele precisa se informar melhor.

Ficam os momentos densos e retóricos de sua fala e de sua verve. A transcrição de sua definição para Temer é imprescindível e um deleite:

“Esse Temer, rapaz, eu vou dizer pra você... Eu tenho até um certo pudor de não exagerar porque agora é trincar os dentes e atravessar até a eleição. Porque não tem como interromper uma coisa... Mas esse Temer é o fundo do poço. Eu já o conhecia de muito longa data. É um escroque, pra falar aqui uma palavra clara. É um escroque que usurpou a presidência da república”.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247