Alta do ouro e desdolarização nas transações entre China e Rússia sinalizam alterações da geopolítica

"O aumento brusco do preço do ouro e a desdolarização progressiva no comércio entre China e Rússia, duas grandes potências mundiais, mostram um processo em curso com impactos sobre a redução da hegemonia estadudinense", escreve o engenheiro e professor do IFF Roberto Moraes

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters | ABr)
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Dois movimentos de certa forma distintos, mas quase sincrônicos, que se desdobraram em paralelo nos últimos anos, mas em especial, no primeiro semestre de 2020, indicam alterações das placas tectônicas na geopolítica.

O aumento brusco do preço do ouro e a desdolarização progressiva no comércio entre China e Rússia, duas grandes potências mundiais, mostram um processo em curso com impactos sobre a redução da hegemonia estadudinense.

variação preço do ouro

O ouro é sempre o mais tradicional refúgio dos capitais quando os horizontes do setor financeiro se enchem de nuvens. No último dia de 2019, a onça (28,3 gramas) do ouro custava US$ 1.517. Já no último dia 6 de agosto a onça tinha subido para US$ 2.063, um aumento de cerca de 35%.

Já a redução das transações em dólar entre China e Rússia, com todas as relações bilaterais que essas potências possuem com vizinhos, caíram de mais de 90% em 2015, para 46% no primeiro trimestre de 2020. Uma desdolarização expressiva.

desdolarização

Em apenas cinco anos, aquilo que era uma das intenções (comércio em moedas nacionais) com a criação dos Brics se torna fato real. Além das transações que ainda são feitas com a moeda dos EUA (46%), outros 30% são agora feitas em euro e expressivos 24% das transações são realizadas nas moedas destas duas nações.

Trata-se de um fato com peso para alterar, de forma nem tão gradual, a hegemonia estadunidense. Ao mesmo tempo é possível identificar como o Brasil perdeu, com o golpe político de 2016, uma colossal oportunidade de estar participando mais ativamente das oportunidades geradas por alinhamentos mais amplos e não exclusivo e depende com os EUA, com quem nem era preciso brigar, mas limitar as relações e romper a dependência e subserviência.

Além isso, há que se observar ainda mais profundamente o que esses dois indicadores podem representar em termos de leitura da geopolítica, a partir das alterações destas duas grandes placas tectônicas e tudo aquilo que gira no entorno delas nos sistemas interestatais capitalistas.

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