Antonio Gramsci e o golpe de Bolsonaro

É uma obviedade ululante a afirmação de que Jair Bolsonaro nunca leu os Cadernos do Cárcere de Antonio Gramsci. Mas a sua estratégia de conquista do poder do Estado, por meio de uma eleição democrática seguida de um violento golpe armado, pode perfeitamente ser compreendida por meio de conceitos criados pelo brilhante marxista italiano ao refletir sobre a estratégia revolucionária dos comunistas, nos anos em que esteve encarcerado nas prisões fascistas, entre 1926 e 1937

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É uma obviedade ululante a afirmação de que Jair Bolsonaro nunca leu os Cadernos do Cárcere de Antonio Gramsci. Mas a sua estratégia de conquista do poder do Estado, por meio de uma eleição democrática seguida de um violento golpe armado, pode perfeitamente ser compreendida por meio de conceitos criados pelo brilhante marxista italiano ao refletir sobre a estratégia revolucionária dos comunistas, nos anos em que esteve encarcerado nas prisões fascistas, entre 1926 e 1937.

 Desde o dia 22 de julho de 2018, quando lançou a sua candidatura a presidente da república, durante convenção do PSL, parcelas significativas do campo progressista vêm subjugando a inteligência e a capacidade de articulação política de Bolsonaro, chegando ao limite de defender a sua interdição por motivos psíquicos, já que o seu impeachment não reúne a menor condição política de ser aprovado pelo parlamento. Já passou em muito o tempo das esquerdas enterrarem definitivamente tal comportamento, que, no final das contas, tem o mesmo resultado nulo, para as grandes massas da população, de acusa-lo de ser fascista. 

Utilizando-me de Gramsci, o fato é que Bolsonaro, com bastante competência política e impressionante fúria destruidora, vem conquistando várias casamatas não apenas da “sociedade civil” (cito aqui apenas as mais relevantes em três setores: o Conselho Federal de Medicina; o complexo Jovem Pan/CNN/Record; e a miríade de igrejas neopentecostais lideradas por Edir Macedo, Silas Malafaia, R.R. Soares et caterva), mas também da “sociedade política” (o que não consta das reflexões gramscianas), a exemplo das polícias estaduais e das forças armadas, nos seus baixos e altos escalões, para além das organizações criminosas milicianas. 

Bolsonaro vem travando uma “guerra de posição” iniciada simbolicamente quando da sua saudação ao torturador Brilhante Ustra, no dia da admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, como preparação para, “no dia D, na hora H”, com a conivência de Facebook, Google e Twitter, colocar em prática uma “guerra de movimento” – o golpe de Estado bolsonarista. Lamento afirmar isso, mas talvez não nos encontremos longe demais desse deslocamento que colocará em xeque o nosso já cambaleante Estado democrático de direito.

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