Ânus de golpe

A exposição do ânus da musa do golpe revela um pouco da legitimidade do mesmo e do sentimento moral e cívico de muitos dos que bateram panelas contra a corrupção e que agora usam as mesmas panelas para irem cozinhando o galo, fingindo que não estão vendo e nem sabendo das armações do governo usurpador que eles ajudaram a colocar no poder

O carnaval, sem sombra de dúvida, nos proporciona momentos que ficam eternizados em nossas mentes. A televisão guarda em seus acervos, cenas e fatos históricos ocorridos durantes os festejos de Momo e a nudez de belas mulheres têm um lugar cativo nesse memorial. Deusas da avenida como Monique Evans, Luma de Oliveira, Luiza Brunet, Viviane Araújo, entre outras, já nos presentearam com a beleza de seus corpos seminus, desfilando na passarela do samba. Ah, o carnaval!

As câmeras das TVs sempre buscaram o melhor ângulo, aquele que pudesse mostrar ao telespectador as melhores imagens e os mínimos detalhes da alegria que contagia os foliões durante essa festa abençoadamente profana. As emissoras sempre disputaram para ver quem mostraria os furos de reportagem e as imagens mais picantes. Os jornais na quarta-feira de cinzas sempre publicaram os closes mais ousados e as revistas de fofoca revelavam fotos comprometedoras dos bastidores. Já tínhamos visto seios, nádegas, genitálias mal depiladas e virilhas purpurinadas, mas nunca antes na história do carnaval desse país, um ânus quase falante, havia sido mostrado em rede nacional. E pelo diâmetro da circunferência, Pi é bem maior do que 3,14. Como diria o narrador Milton Leite: "Que beleza!"

A cena é digna de um porn tube trash e deve ter feito Bruna Surfistinha se sentir uma moça virgem e pura. Até o veterano apresentador Nelson Rubens ficou apavorado com a imagem e chamou o corte (da câmera) rapidamente para o estúdio. A abertura do carnaval na TV brasileira nunca foi tão ampla e cheia de patriotismo. Isto porque a modelo que protagonizou tal ineditismo estava fantasiada de bandeira nacional. Se bem que não era bem uma fantasia. Ela estava com o corpo pintado com as cores do pavilhão nacional. E como toda bandeira que se preze tinha que ter onde colocar o mastro. Só faltou tocar o hino e hastear o símbolo maior da nação a meio pau, pela morte da vergonha alheia.

Após exibir o primeiro ânus, ao vivo e em verde e amarelo, na televisão brasileira, a Rede TV conseguiu me fazer entender aquele ditado que diz: "Até o c# fazer bico" A propósito, a dona do orifício mais comentado do momento, é a musa do impeachment, Ju Isen, que ficou famosa por sair com os seios à mostra nas manifestações dos paulistas contra a presidenta Dilma. A rainha dos paneleiros chegou a prometer que se Dilma Roussef fosse retirada do poder, ela iria comemorar nua pelas ruas de São Paulo. Uma demonstração de altruísmo invejável. A exibição da "máquina de churros" da model o mostrou que ela está bem alinhada com o discurso de Romero Jucá, quando este disse que a suruba deve ser coletiva e não seletiva. Se for para liberar, que se libere para todo mundo.

A exposição do ânus da musa do golpe revela um pouco da legitimidade do mesmo e do sentimento moral e cívico de muitos dos que bateram panelas contra a corrupção e que agora usam as mesmas panelas para irem cozinhando o galo, fingindo que não estão vendo e nem sabendo das armações do governo usurpador que eles ajudaram a colocar no poder. Mas pensando bem, o ânus exposto pela bela e polêmica Ju Isen, após um agachamento mal sucedido, pode ter muitos significados. Que o país está um ânus com essa camarilha comandada por Michel Temer no poder, nós já sabemos. Mas o que está para sair desse buraco pod e ser ainda mais podre do que se imagina. E já dá para sentir o cheiro.

O ônus do golpe será pago pelo povo e por muitos e muitos ânus. E até lá não teremos mais o Nelson Rubens para evitar o pior.

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